ANÁLISE: Bergoglio encoraja o protagonismo das pessoas na sociedade

Francisco fez em Manguinhos um discurso em defesa dos excluídos e dos marginalizados, de condenação à "cultura do egoísmo e do individualismo" e à corrupção. Sua marca mais peculiar está no ponto de partida: o cafezinho que gostaria de tomar com todos e a "água que se coloca no feijão" para poder acolher aquele que chega de improviso. A revolução cristã de Francisco não parte de análises estruturais ou fenômenos de massa, mas do coração de cada um e da solidariedade que permeia o tecido social do povo latino-americano.

Francisco Borba Ribeiro Neto,

26 Julho 2013 | 02h08

Por isso, o discurso é um encorajamento ao protagonismo da pessoa, que não é um indivíduo isolado nem membro anônimo de coletivo indiferenciado. O governo, responsável por políticas públicas, não está ausente da mensagem, mas não detém o protagonismo. O Estado deve estar a serviço do bem comum - não é o responsável maior por ele. Essa primazia cabe à sociedade e às pessoas. Daí a ênfase na cultura, na formação de mentalidades. No fim, a defesa ao desenvolvimento humano integral, que não se reduz a ganhos socioeconômicos.

* FRANCISCO BORBA RIBEIRO NETO É COORDENADOR DO NÚCLEO FÉ E CULTURA DA PUC-SP

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