DANIEL TEIXEIRA/ ESTADÃO
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Análise: Aval a poda particular em SP agiliza processo, mas há risco de remoção inadequada

Nova lei municipal permite que morador contrate empresa e dispensa vistoria prévia do poder público; especialistas vê chance de uma indústria de cortes desncessários

Ricardo Cardim,, Botânico e paisagista

16 de janeiro de 2020 | 18h55

As árvores urbanas não são apenas enfeites, mas verdadeiros equipamentos de saúde pública e qualidade de vida. Trata-se de fator imprescindível de sobrevivência humana em aglomerações artificiais como São Paulo. Com elas, conseguimos menores temperaturas, minimização de enchentes, retenção de poeira, menor poluição sonora e abrigo da avifauna que combate pragas, como baratas e mosquitos.

Com a nova lei que dispensa prévia autorização e vistoria do poder público (a regra sancionada pela Prefeitura de São Paulo permite a contração de empresa particular para o serviço), agiliza-se a poda, mas também surge a possibilidade de mau uso por interesses particulares e desconectados dos benefícios para a coletividade. Não são novidade na cidade notícias sobre podas irregulares. Nos últimos anos, tenho notado aumento de podas mutiladoras. 

Bons profissionais e empresas poderão rapidamente prevenir acidentes e melhorar a saúde da arborização, mas também corremos o risco de assistir à formação de uma indústria de podas desnecessárias e inadequadas, por motivos supérfluos e econômicos, causando impactos na floresta urbana e na saúde. Considero a alteração um equívoco. Deveríamos, sim, ter mais investimentos públicos nos cuidados com o verde.

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