Rafael Arbex / Estadão
Rafael Arbex / Estadão

A responsabilidade dos comandantes de quem anda armado

'E a repetição de casos mostra que os comandos de quem anda armado têm sua parcela de responsabilidade na proteção'

Marcelo Godoy, O Estado de S.Paulo

29 Junho 2016 | 03h00

O desrespeito a procedimentos operacionais de policiais e guardas é uma das razões para que uma ocorrência tenha um desfecho violento. A primeira regra que o policial deve respeitar ao atender um caso é buscar sua proteção. Sem isso, ele não terá condições de proteger a vida da vítima e, muito menos, a do agressor. Pior. Quando o policial está em risco, a chance de a ocorrência sair de seu controle aumenta.

O vídeo da abordagem feita por policiais da Rocam que terminou na morte de um menino de 10 anos na Vila Andrade mostra quando o PM quase é atropelado pelo carro roubado dirigido pela criança. É possível supor que o agente seria morto se, em vez de um menino, estivesse diante de uma quadrilha bem armada. Isso porque, em vez de acompanhar a distância, e assim não se arriscar, o policial acabou exposto, com as consequências conhecidas: uma criança morta, PMs respondendo judicialmente e uma corporação na berlinda.

Em um mês, a repetição de casos de perseguição a suspeitos que terminam de forma trágica reforça a possibilidade de que o respeito às regras operacionais esteja esgarçado. Quando, em 2007, o coronel Marco Antonio Augusto, então chefe do policiamento da zona leste, instituiu a instrução do policial em serviço, a adoção dos procedimentos reunidos no chamado Método Giraldi chegou ao auge. Quando não havia ocorrência na área, uma viatura era chamada pelo comando para que a guarnição mostrasse se sabia como atuar dentro das regras em casos como o de roubos com refém. 

A instrução reafirma o Método Giraldi e seus princípios: o policial se protege para preservar a vítima e até o agressor. De que forma? Usando todos os meios à sua disposição: pedir reforço, agir com segurança, conversar, cercar etc. “É preciso uma instrução constante. Desde a preleção da tropa até o serviço”, diz o coronel. Essa é a tarefa dos comandantes. E a repetição de casos mostra que os comandos de quem anda armado têm sua parcela de responsabilidade na proteção da vida dos subordinados, da sociedade e dos suspeitos. Reforçar regras é o caminho para reduzir a letalidade e para aumentar a eficiência policial.

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