Análise: A longo prazo, vale mais a ação social na Cracolândia

Uma operação policial, sem comunicação entre as partes, quebra a relação de confiança da população nos agentes públicos

André Zanetic, O Estado de S.Paulo

06 Agosto 2016 | 03h00

A falta de articulação entre a polícia e a Prefeitura cria riscos para a eficiência do programa De Braços Abertos, de redução de danos para os usuários de droga na região da Cracolândia. É um projeto muito delicado, porque envolve a confiança daquela população nos agentes públicos: um vínculo difícil de construir. Uma operação policial, sem comunicação entre as partes, quebra essa relação.

Se por um lado a divulgação prévia pode fazer com que a operação policial não funcione, por outro há maneiras mais eficientes de organizá-la. Deveria haver um Centro de Comando e Controle, para reunir os diferentes atores do setor público, responsáveis por analisar as estratégias para reduzir os danos da ação. Eles definiriam horários, locais e quem poderia ser avisado da operação. 

A operação de hoje é enxugar gelo, ainda que tenha prendido alguns traficantes ou apreendido armas. A longo prazo, um trabalho social é mais fortuito.

ANDRÉ ZANETIC É CIENTISTA POLÍTICO DO NÚCLEO DE ESTUDOS DA VIOLÊNCIA DA USP 

 

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