ANÁLISE: a coragem de Janete Clair: por um SUS menos ficção

O governo federal está desorientado. As últimas mudanças de rota em pleno voo confirmam que não sabe o que fazer com a Medida Provisória 621, que embrulhou o programa Mais Médicos. O motivo é simples: faltou negociação na formulação da proposta. A ausência de diálogo com profissionais, instituições de ensino e entidades de classe resultou numa colagem improvisada de iniciativas midiáticas.

Roberto Luiz d'Avila,

01 de agosto de 2013 | 05h46

Chama a atenção a urgência em dar respostas para questões complexas, às vésperas de uma eleição. Não se questiona o mérito do problema. Propostas para qualificar a Medicina e os serviços na rede pública não faltam. As entidades médicas já encaminharam várias. Após ignorá-las, afirma-se desconhecê-las: mais um lance infeliz num embate onde se tenta responsabilizar os médicos pelo caos, o qual decorre da falta de investimento e do excesso de incompetência.

Esta novela se arrastará por mais alguns meses. Talvez os marqueteiros pudessem invocar a ajuda de Janete Clair. Em 1967, a autora usou um terremoto para salvar o enredo de Anastácia, a mulher sem destino, que com 40 capítulos já acumulava centenas de personagens e se perdia em tramas e subtramas. O tremor matou quase todo mundo e deu-lhe a chance de recomeçar do zero.

* É PRESIDENTE DO CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA

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