Anac recomendou uso de reversores para pousos em Congonhas

Recomendação, aprovada em abril de 2006, indicava as medidas a serem tomadas no caso de pista molhada

Luciana Nunes Leal,

31 de julho de 2007 | 23h19

Deputados da CPI do Apagão Aéreo na Câmara mostraram nesta terça-feira uma recomendação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) que mostrava, em abril do ano passado, a preocupação com a pista principal do aeroporto de Congonhas nos dias de chuva. A recomendação, aprovada no dia 5 de abril de 2006, indicava as medidas a serem tomadas pelos pilotos no caso de pista molhada. Entre elas, estava a necessidade de manter os dois reversos (equipamento acoplado à turbina do avião, que ajudar a reduzir a velocidade na hora do pouso) operantes. O Airbus A320 da TAM que bateu contra o prédio da TAM Express, matando 199 pessoas, tinha falha em um dos reversos, que, por isso, estava travado (pinado). A recomendação da Anac dizia que, no caso de pista molhada, o piloto deveria "ter os seguintes equipamentos operantes: anti-skid, auto-brake (se instalado), todos os reversores de empuxo". A mesma recomendação dizia que, no caso de "empoçamento" ou "pista alagada", seria necessária a suspensão das operações. Anti-skid e auto-brake são dois sistemas hidráulicos de freio das aeronaves. O primeiro evita que o avião derrape o segundo faz o avião parar de forma paulatina e automática.  13 pilotos relataram pista escorregadia antes do acidente com Airbus da TAM "Não temos nenhuma informação de que estas recomendações foram revogadas. No dia do acidente a pista estava molhada. Portanto, não poderia haver pouso de aeronaves com reverso travado", disse o relator da CPI, Marco Maia (PT-RS), que leu a recomendação durante o depoimento do piloto da TAM José Eduardo Batalha Brosco. No dia 16 de julho, Brosco pilotou o vôo Confins (Belo Horizonte) - Congonhas, com o mesmo Airbus A320 que se acidentou no dia seguinte. Brosco relatou ter passado "um susto" ao pousar na pista principal de Congonhas, por causa da dificuldade para frear. O comandante disse à CPI, no entanto, que não tinha conhecimento da recomendação da Anac. E, em defesa da TAM, disse que a agência reguladora não poderia fazer recomendações que contrariassem as normas da fabricante do avião. "A Anac não pode exigir o que o fabricante atesta como operação normal", disse o piloto. A Airbus diz que o avião pode funcionar normalmente sem um dos reversos. Brosco disse aos deputados que, no dia 16 de julho, a pista principal de Congonhas "parecia um vidro" de tão "escorregadia". Afirmou também que a pista ficou mais escorregadia depois de reaberta, em junho deste ano, ao final de uma obra que durou dois meses. O piloto disse que ficou "abalado" com a dificuldade de pousar na véspera do acidente e que enviou por e-mail um informe sobre o problema com a pista ao setor de segurança da TAM, no fim da tarde do dia 16. Manutenção Os deputados da CPI identificaram, na lista de checagens mecânicas feitas no Airbus A320 no dia do acidente, dois boletins em que os mecânicos recomendam observação em equipamentos do avião. Os deputados pedirão mais informações à TAM para saber que tipo de falha foi detectada e a gravidade dos problemas.  A pedido dos parlamentares, o piloto decifrou as siglas, mostrando que o pedido de atenção referia-se ao trem de pouso ou ao sistema flap, outros equipamentos de freio dos aviões. Nos demais boletins de manutenção feitos no Airbus no dia 17, há sempre o registro "ok para vôo". Nestes dois casos, em checagens feitas em outro pouso do avião em Congonhas e no aeroporto de Campo Grande, há o registro "obs. para próximas etapas".  "É uma recomendação para que se observe o desempenho dos equipamentos. Pode indicar que ocorreu algum problema, depois solucionado, mas que indicava uma atenção com os freios", afirmou Marco Maia. O presidente interino da CPI, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), reclamou que da dificuldade de leitura e de interpretação dos boletins de manutenção. "A TAM vai ter que explicar exatamente o que significam essas observações", afirmou.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.