ANA critica Sabesp e cobra previsões ‘reais’

Estatal previu entrada de água maior no Cantareira; mesmo assim, agência deu aval para nova retirada do volume morto

Nivaldo Souza, BRASÍLIA

02 Dezembro 2014 | 22h35

A Agência Nacional de Águas (ANA) acusou nesta terça-feira, 2, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) de exagerar no otimismo em relação ao Cantareira. Apesar de autorizar o uso de mais uma parcela do volume morto, o órgão federal voltou a demonstrar “preocupação” com o sistema e cobrar previsões “reais” para a água que entra no sistema até abril - quando deve terminar o período chuvoso.

Como o Estado mostrou nesta segunda-feira, 1, o Cantareira registrou em novembro o terceiro mês com menor entrada de água do ano e também nos 84 anos da história, de acordo com relatórios da ANA. Segundo nota oficial da agência, São Paulo trabalhou nos dois últimos meses com estimativas das chamadas “vazões afluentes” de 15,4 e 23,7 metros cúbicos por segundo, respectivamente. Como a entrada foi de 4 e 6 m³/s, registrou-se “76,6 milhões de m³ a menos do que foi planejado”. 

“Reafirma-se a preocupação desta agência quanto ao planejamento do Sistema (Cantareira) pela Sabesp que, em desacordo com o recomendado pela ANA, utilizou previsões de vazões afluentes ao Sistema Equivalente (volume morto) muito acima daquelas efetivamente verificadas”, registrou a agência. A ANA deseja que o Cantareira atinja o volume de 97,4 bilhões de litros em abril e cobra projeções “conservadoras”.

Apesar das críticas, foi autorizado nesta terça o acesso da Sabesp a 30 bilhões de litros da segunda cota do volume morto. Já o governo do Estado tornou público que quer chegar ao dia 31 com pelo menos 53,3 bilhões de litros de água no Cantareira. Em novembro, o limite acertado foi de 77 bilhões de litros de água. Ontem, havia 82 bilhões de litros de água nas represas.

A agência federal também autorizou uma redução na vazão retirada pela Sabesp dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ). A estatal poderá tirar limite de 3 metros cúbicos por segundo desses rios - em novembro, esse volume era de 4 m³/s.

Reúso. Em seminário sobre a escassez hídrica, o assessor da Sabesp Antônio César da Costa e Silva afirmou nesta terça que a estatal está buscando regulamentação federal do Ministério do Meio Ambiente para todo o processo de transformar água de reúso em potável. “ Os projetos ainda não foram licitados, foram desenvolvidos internamente e já foram apresentados aos órgãos federais para fins de financiamento”, afirmou.A Sabesp estima que as duas estações de produção de água de reúso vão produzir 3 mil litros por segundo, a ser lançados nas Represas do Guarapiranga e Isolina - do Sistema Baixo Cotia.

Após dizer que vê o aumento de 6,5% na conta de água, a partir do dia 27, como “realinhamento de preços” necessário, Costa e Silva negou que haja interesse em usar o terceiro volume morto, mas ressaltou que houve um aumento de custo para a companhia captar essa água - que não detalhou. Segundo os técnicos, as medidas tomadas pela empresa já são equivalentes a um rodízio de dois dias com água e sete dias sem na capital. / COLABORARAM RAFAEL ITALIANI e STEFÂNIA AKEL

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