Amizade deu lugar a rixa com AfroReggae

O pastor Marcos Pereira ganhou notoriedade por negociar o término de rebeliões em presídios e resgatar reféns que supostamente seriam executados por traficantes. Ele começou a ser investigado pela Delegacia de Combate às Drogas (DCOD) em fevereiro do ano passado, após o coordenador da ONG AfroReggae, José Júnior, acusá-lo publicamente de ligação com o Comando Vermelho e de ter ordenado os ataques contra ônibus e bases policiais em 2006 e 2010.

RIO, O Estado de S.Paulo

12 Maio 2013 | 02h02

O AfroReggae também é conhecido pelo trabalho de ressocialização de ex-detentos e de mediação de conflitos em favelas dominadas pelo tráfico. A ONG recebeu, nos últimos seis anos, R$ 483 mil em verbas federais e R$ 7,7 milhões do governo do Estado, segundo levantamento feito no Siafem pelo gabinete do deputado estadual Luiz Paulo (PSDB-RJ), a pedido do Estado.

Júnior e Marcos Pereira se conheceram - e se tornaram amigos - após rebelião em uma casa de custódia na zona norte do Rio em 2004, na qual o pastor atuou como mediador a convite do então secretário de Segurança, Anthony Garotinho. Em depoimento à DCOD, o líder do AfroReggae disse que tinha admiração pelo trabalho da ADUD e chegou a obter doações para a igreja. Tudo mudou quando um ex-membro da ADUD, que ingressou no AfroReggae em 2009, lhe revelou os crimes em que Marcos Pereira estaria envolvido. A partir daí, Júnior disse que o pastor começou a espalhar pelas favelas que ele era "X-9" (alcaguete) da polícia, com o objetivo de colocar sua vida em risco.

Ciúmes. Ouvido no inquérito, Marcos Pereira negou todas as acusações. Disse que Júnior estava com "ciúmes" por ele ser bastante querido em comunidades carentes e presídios. / M.G.

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