Amigos usam batom vermelho em homenagem a estudante que morreu na USP

Encontrada no fosso de um elevador em construção no domingo, Bruna Barboza Lino, de 19 anos, foi enterrada em São Bernardo do Campo; batom era sua marca, dizem colegas

Laura Maia de Castro, O Estado de S. Paulo

16 Dezembro 2013 | 11h40

Atualizado às 16h10

O corpo da estudante de Letras Bruna Barboza Lino, de 19 anos, encontrado por volta das 4h30 desse domingo, 15, em um prédio em construção no câmpus da Universidade de São Paulo (USP), no Butantã, zona oeste da capital paulista, está foi enterrado em São Bernardo do Campo na manhã desta segunda-feira, 16.

O enterro ocorre no Cemitério Municipal Bairro Pauliceia. Amigos da jovem estão de batom vermelho como forma de homenageá-la. "O batom vermelho era a marca da Bruna, que cuidava muito da aparência, disse o amigo Bruno Barros, de 21 anos.

A estudante foi achada no fosso de um elevador em uma obra ao lado do Paço das Artes, na Avenida da Universidade, a poucos metros da Academia de Polícia. Segundo a Reitoria, a obra, pertencente ao Instituto Butantã, estava abandonada, mas tinha isolamento.

A Polícia Militar foi chamada ao local na madrugada e, segundo a assessoria de imprensa, já encontrou Bruna morta. De acordo com a Guarda Universitária, um grupo de estudantes estaria reunido no local.

Segundo testemunhas ouvidas pela polícia que estavam com a estudante, eles estavam saindo de uma festa quando resolveram ir até o anexo em construção dos Paços das Artes "para esperar o tempo passar".

Bruna, de acordo com as investigações preliminares, disse que sairia "para fazer necessidades fisiológicas". O grupo, então, teria ouvido um grito e percebeu que a vítima havia caído no fosso do elevador. O Samu constatou que ela morreu no local.

O caso foi encaminhado inicialmente ao 91º Distrito Policial (Ceagesp), também na zona oeste, mas será investigado pelo 93º DP (Jaguaré), responsável pela área. De acordo com o delegado titular, Paulo Andrade, a polícia esteve nesta segunda no local onde a menina caiu e ainda vai ouvir as pessoas que estavam próximas dela no momento para apurar o que ocorreu. 

Responsabilidades. A família da estudante está inconformada com o fato de não ter sido procurada pelo responsável pelo prédio abandonado onde a jovem caiu no fosso. "Nós estamos revoltados com o descaso por parte dos órgãos competentes, o responsável pelo prédio e a USP, uma vez que esse era um local frequentado por alunos", disse a irmã de Bruna, Barbara Barbosa.

Segundo amigos, o local era usado por diversos alunos, inclusive por praticantes de esportes. "A questão não é que a gente foi lá e por isso somos os culpados. Foi uma tragédia. Uma tragédia que a USP e o governo não querem assumir", disse Bruno Barros, estudante do 2º ano de Letras e amigo da Bruna. Ele também usava batom em homenagem à estudante.

Segundo barros, o Samu desligou na cara dele quando pedia socorro, porque ele não soube o informar o número do prédio abandonado.

Mais conteúdo sobre:
uspestudanteenterroelevador

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.