Amigos, emoção e microfonia

Tudo pode acontecer quando artistas se reúnem pela primeira vez - pena que o som deles seja tão ruinzinho

LUCAS NOBILE, ENVIADO ESPECIAL / RIO, O Estado de S.Paulo

25 de setembro de 2011 | 03h01

Assim como a noite de sexta, os shows de ontem no Palco Sunset tiveram como destaque - infelizmente negativo - os imensos problemas técnicos de som, que prejudicaram todas as apresentações. A intenção é das melhores (a de reunir artistas de diferentes ou similares linguagens), mas a organização do festival parece não ter aprendido com os erros da noite de estreia.

Em termos qualitativos, os artistas escalados para o segundo dia de Palco Sunset eram superiores em comparação com os do primeiro, mas tiveram suas atuações manchadas pela desorganização da produção. Tanto que o palco ganhou o apelido de "passagem de som".

Na parte musical, o Sunset abriu seus trabalhos com a apresentação mais ousada do festival até aqui. Pela escalação, o que se viu foram talentosas cantoras relevadas nos anos 2000 em comunhão com artistas que despontaram na década de 1990. Em um show que novamente teve início com pequeno atraso, o que se viu foi um ritual de arrojo, com a postura e atitude que condizem com o espírito com que foi criado o Rock in Rio nos anos 1980. Cibelle, Karina Buhr e Amora Pêra abusaram nos figurinos e nas maquiagens e interagiram muito bem musicalmente com Marcelo Yuka e banda.

Apesar da péssima equalização de som, elas finalmente conseguiram colocar em prática aquilo a que deveria se propor o palco secundário de um festival desta magnitude: apresentar gente mais nova e menos conhecida do público e não se limitar ao comodismo de apostar apenas em medalhões. No repertório, temas da carreira solo das intérpretes e de Yuka, além de composições da antiga banda do baterista, compositor e programador do Rappa, como Minha Alma.

A segunda apresentação teve novamente a mistura de surgidos nos anos 1990 com talentos dos anos 2000. A Nação Zumbi e Tulipa Ruiz fizeram um show na média, em um mix que prometia dar certo. Deu, mas o público não saiu de lá deslumbrado. No set list, temas de Tulipa registrados em seu disco Efêmera e criações da Nação, como Blunt of Judah, Manguetown e Bossa Nostra.

A atração seguinte seguia por outra proposta, indiscutível: a reunião de Milton Nascimento com sua fã declarada, Esperanza Spalding. Pouco antes do show, o público foi castigado por uma forte pancada de chuva, que ameaçava desabar desde o início do dia na Cidade do Rock, mas que passou rapidamente.

No começo da apresentação, Esperanza parecia fazer mímica no palco, já que nada se escutava de seu baixo acústico. A apresentação teve grande parte do público registrando o show com suas câmeras amadoras e uma plateia que pouco se animou, mas respeitou o ícone mundial que é Milton.

O show de Mike Patton com a Orquestra de Heliópolis (leia mais abaixo) mostrou um inusitado projeto que pretendia resgatar canções italianas clássicas e fazer casais dançarem de rosto colado. Falando só em italiano (ele morou na Itália por muitos anos), dividiu opiniões e fez polêmica no encerramento do Sunset.

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