Amigo que guiou carro deve ser indiciado

Rapaz pode ser acusado de favorecimento pessoal ou coautoria do crime, diz delegado

Marcelo Godoy, O Estadao de S.Paulo

16 Março 2010 | 00h00

A Polícia de São Paulo pretende indiciar o rapaz que dirigiu o carro usado por Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, acusado de matar o cartunista Glauco Vilas Boas, de 53 anos, e seu filho Raoni, de 25 anos. O estudante de Publicidade Felipe de Oliveira Iasi, de 23 anos, deve ser acusado de favorecimento pessoal ou de coautoria do crime, ocorrido na madrugada de sexta-feira, em Osasco, na Grande São Paulo.

A definição das acusações contra Iasi deve ocorrer depois do interrogatório de Nunes. O que a polícia quer saber do acusado do crime é se seu amigo sabia de sua intenção de sequestrar a família do cartunista. Nunes queria que suas vítimas o acompanhassem até a casa de sua mãe a fim de confirmar que ele era Jesus Cristo. Acabou atirando quatro vezes em Glauco e outras quatro em Raoni.

Anteontem, em depoimento à Polícia Civil de São Paulo, Iasi havia dito que foi obrigado a levar Nunes até a casa de Glauco. Segundo ele, Nunes marcou um encontro para que os dois fossem "fumar maconha". Iasi contou que apanhou o amigo e, quando passava pela Praça Pan-Americana, em Alto de Pinheiros, zona oeste de São Paulo, foi dominado com uma pistola.

Iasi afirmou ainda que se aproveitou da discussão entre Nunes e o cartunista para abandonar o lugar. Por falta de provas que o desmentissem, Iasi foi liberado pela polícia após o depoimento.

A situação começou a mudar ontem. Logo no começo da tarde, a polícia ouviu a viúva do cartunista, Beatriz Galvão.

Ela contou que Iasi e Nunes chegaram juntos a sua casa. Afirmou que o estudante de Publicidade presenciou as agressões praticadas por Nunes. Segundo ela, Iasi ficou impassível. Beatriz afirmou que não viu se Nunes deixou a casa em companhia de Iasi. Mas acreditava que sim.

Em seguida, foram ouvidas pela Delegacia Seccional de Osasco a namorada de Raoni, Gecila, e Juliana, enteada do cartunista. As duas também não souberam dizer se o estudante de Publicidade deu ou não cobertura na fuga do assassino. Mas confirmaram o depoimento da viúva.

Por fim, o delegado Archimedes Cassão Veras Júnior ouviu o estudante João Pedro Correia da Costa, de 32. Segundo o delegado, Costa afirmou que chegou naquela noite à casa de Glauco em companhia de Raoni. Ele contou que Nunes atirou em sua direção. Costa correu e se escondeu num banheiro. Ali ouviu o que, segundo ele, seriam três tiros para o alto, "em comemoração".

Antes que o acusado fugisse ele saiu para espiar o que estava acontecendo e viu "um vulto acompanhando Cadu (Nunes)". Costa estava abalado. "Ele tentou me matar", dizia.

"A situação de Felipe (Iasi), com os depoimentos de hoje (ontem), ficou mais complicada. Seu indiciamento será consequência do fim do inquérito. O que falta definir é o grau de participação dele no crime", disse o delegado.

O advogado de Iasi, Cássio Paoletti Junior, afirmou que a versão dele não muda, "pois é a verdade". Ele disse considerar prematuro um indiciamento antes do interrogatório de Nunes e da conclusão das investigações.

O delegado vai confrontar o que Iasi disse com os dados do rastreador, que existe no carro do estudante (um Gol), e os dados das estações de telefonia celular por onde seu telefone passou naquele dia. A ideia é refazer o roteiro dele desde que saiu da casa do cartunista. A polícia desconfia que uma terceira pessoa tenha ajudado Nunes durante a permanência dele em São Paulo, até o roubou, no domingo, do carro usado por ele para tentar entrar no Paraguai.

FRENTE A FRENTE

Ana Beatriz

Galvão

Viúva de Glauco

"Me dava a impressão de que ele (Felipe de Oliveira Iasi) não estava também muito normal, porque ele estava com o olho muito arregalado, sabe?"

"Enquanto o Cadu fazia toda essa barbaridade, ele (Iasi) ficou sentado no sofá. Eu

falei ajuda, ajuda, por favor. Ele falou que não"

"Após o assassinato, ele levou o Cadu (Carlos Eduardo Sundfeld Nunes) embora

dentro do carro dele"

Cássio Paoletti Júnior

Advogado de Felipe

Iasi teria recebido telefonema de Nunes e foi buscar o amigo em casa. No carro, Nunes o dominou com uma pistola

"Seu estado psíquico (de Nunes) parecia alterado. Não falava coisa com coisa

e dizia que era a reencarnação de Jesus Cristo"

Iasi teria aproveitado a discussão entre Nunes e a vítima para fugir e não saberia do desfecho

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