Amigo de Lula está no aluguel social

Casa de Sebastião foi destruída pelo Rio Mundaú

Ricardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

19 Setembro 2010 | 00h00

Aos 69 anos, Sebastião Antônio do Nascimento foi entrevistado na semana passada pelo recenseador do IBGE para o Censo 2010. Sentado na varanda do que sobrou de sua casa, na rua principal de Branquinha, Sebastião passava as informações sobre a família e contava como perdeu tudo com a última cheia do Rio Mundaú.

"A cheia chegou de surpresa, a água subiu tão rápido que não deu tempo de tirar nada", diz o operário aposentado, que conta que foi amigo do presidente Lula, quando estudaram no Senai de São Paulo.

"Naquela época, o Lula fazia curso de torneiro mecânico e eu estudava para mecânico industrial. Mas a gente se conhecia. Quando chegava a hora do intervalo, enquanto a gente ficava jogando conversa fora com os amigos, ele se reunia com alguns colegas para estudar política nos livros e jornais sindicais. Depois a gente nunca mais se viu. Fui trabalhar em Guarulhos e depois, transferido para Minas."

O teto de laje da casa de alvenaria está todo mofado e ainda guarda as marcas do Rio Mundaú. "A enxurrada foi tão forte que arrastou um monte de tralha para cima das casas. Quando a água baixou, os ladrões reviraram os telhados das casas à cata de fogões, geladeiras, aparelhos de tevê, ventiladores e outros utensílios que a cheia arrastou."

Seu Sebastião mostra o curativo no braço esquerdo e diz que é por ali que seu sangue é filtrado, em sessões de hemodiálise a que precisa se submeter três vezes por semana, na Santa Casa de Maceió. "Os meus rins já não funcionam mais e a minha vista também não." Por causa dos problemas de saúde, ele não foi morar nas barracas de lona no acampamento dos desabrigados. Está com a mulher e um neto em uma casa alugada pela prefeitura de Branquinha.

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