Amigo de casal gay apanha de segurança na República

Rapaz diz que grupo foi ofendido antes do ataque; acusado procura a polícia e diz que quis recuperar objetos furtados

BRUNO RIBEIRO, O Estado de S.Paulo

21 de maio de 2012 | 03h03

Um impressor de 24 anos foi agredido com chutes e socos na cabeça por um segurança de 29, por volta das 15 horas de anteontem na Praça da República, no centro da capital paulista. A vítima diz ter apanhado porque estava com dois amigos gays. Já o agressor diz que o rapaz havia furtado um casal homossexual que estava na praça e também prestou queixa à polícia. Mas o caso será investigado pela Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), que atua em casos de homofobia.

A Secretaria Estadual da Segurança Pública não divulgou os nomes nem do agressor nem da vítima. Segundo a secretaria, a Polícia Militar foi chamada à praça por testemunhas que viram o rapaz apanhando do segurança. Quando os PMs chegaram, encontraram o impressor com a cabeça ensanguentada. Os policiais levaram o rapaz até o Pronto-Socorro da Santa Casa de Misericórdia, em Santa Cecília, também no centro, e depois ao 8.º Distrito Policial (Belém), que registrou o caso como lesão corporal dolosa.

Homofobia. No depoimento, o impressor disse que havia ido à feira de artesanato da praça com o casal de amigos e parado perto das barraquinhas de alimentos, onde lancharam. Nisso, ainda segundo o depoimento, começaram a ser ofendidos pelo segurança, pelo fato de o casal ser homossexual. O trio ignorou o segurança e continuou a comer.

Em seguida, eles seguiram até a entrada da estação de metrô na praça e se despediram. O casal desceu a escadaria da estação e o impressor voltou para a praça, para cruzá-la, quando reencontrou o segurança. Só que, desta vez, o rapaz disse ter reagido verbalmente às provocações, o que fez com que o segurança o agredisse com "golpes de artes marciais", segundo a Polícia Civil. Depois da agressão, o segurança fugiu da praça.

Enquanto a PM socorria a vítima, o segurança foi até o 3.º Distrito Policial (Santa Ifigênia) e declarou ter agredido um rapaz que furtou um casal homossexual que estava lanchando na praça. O segurança disse que presenciou o furto e tentou recuperar os bens das vítimas.

Testemunhas ouvidas pela Polícia Civil, no entanto, disseram ter visto o segurança agredir o impressor "sem motivo aparente". Os dois envolvidos na briga fizeram exames no Instituto Médico-Legal.

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