Amigo da família é suspeito de matar cartunista Glauco e o filho

Estudante de 24 anos, que frequentava igreja fundada pelo artista, tentou sequestrá-lo; acusado está foragido

Marcelo Godoy, O Estadao de S.Paulo

13 Março 2010 | 00h00

CRIME - Chácara onde aconteceram os assassinatos abrigava a igreja mantida por Glauco

Glauco Villas Boas, de 53 anos, cartunista da Folha de S. Paulo, e seu filho Raoni, de 25, foram mortos ontem, à 0h30, pelo estudante universitário Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, de 24 anos, que, segundo as testemunhas e a polícia, invadiu a chácara da vítima com pistola em punho. Queria sequestrar o cartunista e a família e levá-los a sua casa. Acabou disparando dez vezes, acertando quatro tiros em cada vítima.

Cadu, como é conhecido o acusado do crime, é amigo há anos dos filhos do cartunista. Frequentava a Igreja Céu de Maria, mas há oito meses não aparecia no templo que Glauco mantinha em sua chácara, em Osasco, na Grande São Paulo. Segundo testemunhas e parentes da vítima, anteontem à noite o acusado, possivelmente em companhia de mais um ou dois amigos, chegou à casa do cartunista em um Gol cinza. Parou o carro atrás do veículo de Juliana, enteada de Glauco.

Pouco antes da meia-noite, o estudante abordou Juliana com uma pistola calibre 7,65 mm - trazia uma faca na cintura. Obrigou a vítima a chamar a mãe (Bia), que abriu o portão da casa. Além delas, dominou ainda Alva (enteada de Glauco), Gecila (mulher de Raoni), um neto e o próprio cartunista. Seus olhos estavam esbugalhados, sua boca espumava e ele demonstrava ansiedade. Glauco tentou acalmá-lo. Foi agredido. O cartunista propôs ao estudante que as mulheres ficassem e ele o levasse. Nunes apontou a arma para a própria cabeça e disse que ia se matar. "Não faça isso!", teria dito Glauco.

Foi quando o filho do cartunista chegou. O portão estava aberto. Raoni entrou e viu o amigo armado, com o pai - e se assustou. O acusado atirou. A perícia mostra que o cartunista foi atingido à queima-roupa no rosto. Os demais tiros acertaram o tórax e o abdome. Em seguida, o estudante teria disparado contra Raoni, três vezes no abdome e uma no tórax. Bia e Juliana assistiram a tudo. O estudante saiu, entrou no Gol e sumiu.

As vítimas foram levadas ao Hospital Albert Sabin, na Lapa, zona oeste de São Paulo, onde morreram. "Foi uma tragédia. O rapaz estava em meio a uma tempestade psicológica", afirmou o delegado Fernão de Oliveira Santos, titular da Seccional de Osasco. Os policiais estiveram ontem de manhã na casa do estudante, mas não o encontraram. Também não acharam a arma do crime. Cinco testemunhas reconheceram o acusado, que segue foragido. De acordo com a polícia, Nunes tem um histórico de abuso de drogas.

O velório de Glauco e de seu filho Raoni ocorreu na chácara da família. O sepultamento está marcado para hoje, às 9 horas, no Cemitério Gethsemani Anhanguera, em Osasco.

COLABORARAM ELVIS PEREIRA E JOSMAR JOZINO

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