Amiga volta ao apartamento para negociar fim de seqüestro

Nayara tenta convencer Lindembergue a soltar Eloá, que é feita refém há quase 70 horas em Santo André

Marcela Spinosa, do Jornal da Tarde,

16 de outubro de 2008 | 09h15

O seqüestro da adolescente Eloá, de 15 anos, completa 70 horas na manhã desta quinta-feira, 16. Por volta das 9 horas, Nayara, amiga da adolescente que foi solta na noite de terça-feira, voltou ao apartamento para tentar negociar o fim do seqüestro. Momentos antes, Eloá apareceu na janela do apartamento e Lindembergue Alves, de 22 anos, estava atrás dela falando ao telefone. A nova tentativa de negociação foi frustrada e o pai de Eloá passou mal e teve que ser atendido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).   Veja também: Vizinhos também se tornaram reféns de seqüestro no ABC Em 2 anos, houve ao menos 3 seqüestros por relacionamento Jovem diz que vai matar ex-namorada se polícia invadir o local O mais longo cerco da história da PM  ''Ele não suportou a perda de poder na relação''  Gate queria impedir TV de falar com invasor  No Orkut, solidariedade de estranhos e até propaganda  ''Gosta tanto dela que se desequilibrou''        Nayara foi acompanhada até a porta do apartamento, sempre falando ao celular, pelo irmão de Eloá, que ficou do lado de fora esperando por cerca de uma hora e depois foi retirado pelos policiais. Até às 10h40, Nayara não havia saído do apartamento e Eloá ainda era mantida refém. Segundo informações do comandante Félix, da Tropa de Choque da PM, Lindembergue exigiu que Nayara e o irmão de Eloá fossem até o apartamento. No entanto, o comandante não afirmou porquê o irmão de Eloá não entrou no apartamento.   O seqüestro começou às 13h30 de segunda-feira em um apartamento do CDHU no Jardim Santo André, em Santo André, no ABC paulista. Até às 2 horas desta quinta, era possível perceber luzes do apartamento. A claridade era parecida com a de uma televisão, mas o aparelho foi desligado depois deste horário. Durante toda a madrugada, a polícia não conversou com a imprensa e aumentou a área de isolamento do prédio.   Os repórteres foram colocados a uma distância em linha reta de 150 metros e em um ponto do qual não é possível visualizar o bloco e nem as janelas do apartamento onde a estudante é mantida refém. Por volta das 5 horas, a polícia se aproximou um pouco mais do imóvel.   O seqüestro   O seqüestro começou às 13h30 de segunda-feira. Nayara, de 15 anos, foi libertada às 22h50 e os outros dois colegas que eram feitos reféns, ainda na noite de segunda-feira. Alves está armado com um revólver calibre 38 e uma pistola. O seqüestrador invadiu o imóvel porque estaria revoltado com o término do namoro. Seu objetivo era ficar sozinho com Eloá.Para isso, convidou o irmão da menina, de 14 anos, para ir ao parque jogar bola, mas o deixou lá e voltou. Na hora em que o apartamento - no terceiro andar do bloco 24 - foi invadido, Eloá havia acabado de chegar da escola com Nayara, o namorado dela e um colega. Eles estudam na Escola Estadual José Carlos Antunes e iriam fazer um trabalho de geografia. "Ele disse que ela (Eloá) teve sorte de não estar só. Perguntou quem éramos e deu uma coronhada", contou João (nome fictício), 15 anos, um dos reféns. Para evitar contato com os familiares, tomou os celulares de todos e quebrou o modem do computador. Deu frutas, bolachas e água para eles jantarem.A polícia soube do caso às 20h30, porque o pai de um dos garotos, estranhando a demora do filho, foi ao prédio, bateu na porta do apartamento e ouviu Nayara pedindo para ele se afastar. Ele, então, chamou a polícia. Quando a PM chegou, Lindembergue atirou duas vezes, mas ninguém foi atingido. O Gate começou a negociação por celular. O seqüestrador também conversou com familiares das jovens. O primeiro refém, João, foi solto às 21h15. "As meninas e meu amigo pediram para ele me libertar. Estava passando mal". O segundo foi libertado às 22 horas. Na manhã de terça, Lindembergue apareceu na janela do apartamento. Durante o dia, também mostrou as garotas. Vizinhos e parentes acompanharam as negociações em frente ao prédio.Lindembergue e Eloá namoraram durante três anos. Ele desmanchava e ela reatava. Mas da última vez, ela recusou retomar o relacionamento. Os dois moram no mesmo conjunto da CDHU."Ele disse que só sairia de lá morto, porque para a cadeia não iria", disse o comandante do Gate, Adriano Giovaninni. A polícia desligou a luz às 17 horas de terça. Lindembergue cortou as negociações às 18h50. Às 22h10 o seqüestrador pediu que a luz fosse religada e o Gate negociou a libertação de uma refém. A luz foi religada e às 22h50 de terça, quando ele soltou Nayara.   Texto ampliado às 11h25 para acréscimo de informações.

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