Americanos vão fazer o projeto da Nova Luz

Parte do consórcio escolhido ontem, empresa que planejou Olimpíada de Londres terá dez meses para definir como a cracolândia será revitalizada

Diego Zanchetta, O Estado de S.Paulo

12 de maio de 2010 | 00h00

Cracolândia. Vista da Rua Helvétia: área continua ocupada por viciados e moradores de rua Após cinco anos de discussões, a Prefeitura de São Paulo anunciou ontem que a missão de tirar do papel a revitalização da cracolândia, no centro da cidade, será da americana Aecom. Nos últimos cinco anos, a empresa estabeleceu as diretrizes para a Olimpíada de Londres de 2012, recuperou a área portuária de São Francisco, nos Estados Unidos, e fez o mesmo com o centro de Manchester, na Inglaterra.

Com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), a Companhia City e construtora Concremat, a Aecom forma o consórcio que vai criar o modelo de recuperação da área da Nova Luz - um polígono encravado no centro velho, que ficou conhecido pela grande quantidade de usuários de drogas. A licitação de R$ 12 milhões, lançada no ano passado, levou em conta não um projeto pré-elaborado, mas o currículo das candidatas na recuperação de áreas degradadas.

Quando o consórcio concluir o modelo urbanístico a ser implementado, em março de 2011, a área de 362 mil m² estará pronta para ser concedida a um novo grupo privado, que terá autonomia para desapropriar imóveis particulares e revendê-los a construtoras interessadas em repaginar a região. O custo da concessão, pelo período inicial de cinco anos e também por meio de concorrência, poderá render R$ 2 bilhões à Prefeitura.

Ao lado de estações de trem, de terminais de ônibus e da Pinacoteca do Estado, a área da Nova Luz ainda segue ocupada por dependentes de drogas e moradores de rua. Nem o recente boom imobiliário que atingiu bairros afastados da periferia conseguiu mudar essa parte do centro. Os prédios antigos e residenciais do bairro precisam de reformas. E uma operação montada desde agosto na área pela Secretaria Municipal da Saúde, para oferecer tratamento médico aos viciados, não obteve sucesso.

Na sexta-feira à tarde, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) terá reunião com o consórcio vencedor. O primeiro passo do grupo será elaborar o estudo de impacto ambiental da revitalização. O projeto deverá contemplar ainda a construção de 1.200 moradias populares.

Retorno. O projeto Nova Luz também marca a volta da Cia. City às discussões sobre urbanismo em São Paulo. A empresa, que idealizou bairros arborizados e aprazíveis como Alto de Pinheiros, Pacaembu, Jardim América e City Lapa, não participa da construção de nenhum grande empreendimento desde 1961. Até pela falta de novos espaços centrais para o loteamento privado, a Cia. City só ressurgiu em 2005, com capital de sócios colombianos. E tem se envolvido em projetos polêmicos, como o da construção de sete torres ao lado de uma área de preservação no Morumbi, zona sul. Outro é um condomínio em Bertioga, no litoral Paulista.

Para entender

Até 2009, o objetivo da gestão Gilberto Kassab (DEM) era adotar um projeto do arquiteto Jaime Lerner, encomendado pela Associação Imobiliária Brasileira (AIB). Com base nesse projeto, seria escolhido um consórcio para assumir a concessão da área. A ideia mudou após o governo avaliar que um plano encomendado pelas grandes incorporadoras poderia causar questionamentos jurídicos. O projeto inicial também não contemplava 1.200 moradias populares.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.