José Luis da Conceição/AE
José Luis da Conceição/AE

'Amei muito o coronel', diz Carla Cepollina

Em entrevista, advogada lembra que convivência com Ubiratan Guimarães era sólida e estável durante namoro

Leandro Calixto, do Jornal da Tarde,

09 de setembro de 2009 | 00h15

Ao contrário do que chegou a ser dito por pessoas próximas ao coronel Ubiratan Guimarães, a advogada Carla Cepollina garante que seu relacionamento com ele era sólido na época do crime. "Nós tínhamos uma convivência muito intensa", recorda. Passados três anos do assassinato, ela diz que só pensa em reconstruir a vida. "Quero deixar meu caso como exemplo. Ninguém pode ser condenado sem qualquer tipo de prova", diz a advogada. Até o final do próximo mês, três desembargadores do Tribunal de Justiça irão analisar uma sentença do juiz Alberto Anderson, que impronunciou Carla por falta de provas no ano passado.

 

Veja também:

linkTJ analisa se Cepollina vai a júri por morte de Ubiratan

 

"Dentro da lei dos homens e de Deus, vou conseguir a Justiça", acredita a advogada. Nesta segunda parte desta entrevista, Carla Cepollina diz como era a sua relação com Ubiratan e rebate as críticas da polícia, que na época das investigações a classificou como uma mulher fria e calculista.

 

Hoje completam três anos da morte do coronel Ubiratan Guimarães. Qual a maior lembrança que você tem dele?

 

São muitas. Nós tínhamos uma convivência muito intensa. Ele era uma pessoa extremamente espirituosa. Ficaram muitas coisas.

 

Você o amou?

 

Amei muito. Amei, fui leal, fui companheira e estive com ele num momento muito difícil da vida dele. Estava com ele no julgamento do Carandiru, quando ele foi condenado a 632 anos de prisão, mas depois acabou absolvido. Quando Ubiratan faleceu, ele estava fazendo um tratamento e eu estava ao lado dele. Ele era uma pessoa inteligente.

 

Qual foi o gesto de carinho do coronel que mais marcou você?

 

Ele fez coisas que nunca havia feito para outras mulheres. Tipo dar presente para comemorar um ano de namoro. Até os amigos mais próximos dele falaram que o coronel estava mais mole depois que começou a namorar comigo. As pessoas conheciam um mundo árido dele.

 

O relacionamento que você teve com o coronel foi o que mais completou você?

 

Isso é muito íntimo.

 

Teve algum gesto dele que deixou você amargurada neste relacionamento?

 

Se tivesse ocorrido alguma coisa com ele, a ponto de ter me deixado amargurada, pode ter certeza que não teria continuado com ele.

 

Você já foi ao cemitério visitar o túmulo do coronel?

 

Eu esperei para ir depois da fase do interrogatório. Mandei fazer uma placa com o nome dele. E falei para a direção do cemitério considerar que a entrega daquela placa era uma doação anônima. Ver que não tinha o nome dele no túmulo foi uma coisa que me deixou muito mal. Só que depois os filhos mandaram tirar a placa porque disseram que o pai tinha muitos inimigos e alguém poderia cometer algum tipo de vandalismo.

 

Você está namorando?

 

Isso é muito pessoal.

 

Você foi apontada como criminosa pela polícia. Por conta disso, os homens têm alguma dificuldade em se aproximar de você?

 

Não sei. Você deveria fazer essa pergunta para os homens.

 

Como era namorar uma pessoa que era jurada de morte. Você tinha medo de morrer?

 

Não. Sempre tive muita fé em Deus. Quando fomos assaltados na casa de praia, fiquei preocupada. Sentei em cima dos documentos dele quando os ladrões começaram a andar pela casa. Eu pensei que, se soubessem quem era ele, já era. Se tivesse algum tipo de receio, não teria namorado ele.

 

Como você espera que termine tudo isso?

 

Sou brasileira, nasci aqui e ninguém vai ameaçar ou tirar o direito de eu viver aqui. Dentro da lei dos homens e de Deus, vou conseguir a justiça.

Tudo o que sabemos sobre:
Ubiratan GuimarãesCarla Cepollina

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.