Leo Giantomasi
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Ameaçada de desabamento, estação do século 19 na vila de Paranapiacaba inicia restauração

Obra, orçada em mais de R$ 1,7 milhão, está sendo realizada por meio da lei de incentivo à cultura com patrocínio da concessionária de ferrovias MRS Logística; entrega deve acontecer ainda este ano.

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

16 de julho de 2020 | 15h03

SOROCABA – Depois de 20 anos de abandono e ameaçada de desabamento, a histórica estação ferroviária de Campo Grande, inaugurada em 1889, começou a ser restaurada na Vila de Paranapiacaba, em Santo André, região metropolitana de São Paulo.

A obra, orçada em mais de R$ 1,7 milhão, está sendo realizada por meio da lei de incentivo à cultura com patrocínio da concessionária de ferrovias MRS Logística. A entrega da estação restaurada deve acontecer ainda este ano. A vila histórica está com parte das atividades turísticas suspensas devido à pandemia do novo coronavírus.

Os trabalhos são coordenados pelo escritório de arquitetura e urbanismo Contemporânea Paulista, especializado em restauração do patrimônio histórico e cultural. O projeto é referenciado pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), uma agenda de metas globais estabelecidas em assembleia geral pela Organização das Nações Unidas (ONU), que incluem ações nas áreas de saúde, educação, justiça social, meio ambiente e urbanização. A iniciativa é apoiada pela prefeitura de Santo André e pelo órgão municipal de defesa do patrimônio histórico.

A estação ferroviária de Campo Grande foi construída pela companhia inglesa São Paulo Railway para o abastecimento de água das locomotivas, mas acabou se tornando entreposto de escoamento da produção de lenha e carvão para os fornos das olarias da região.

A São Paulo Railway foi a primeira estrada de ferro construída em território paulista e tinha como um dos acionistas o Barão de Mauá, pioneiro da ferrovia no Brasil. Com 300 m² de construção e 7,5 mil m² de área externa, a estação foi usada para o transporte de passageiros até 2002.

Após a desativação, o prédio ficou abandonado, com a área externa tomada pelo mato, e a falta de manutenção deixou as instalações em ruínas. A MRS Logística, concessionária do transporte de carga pela rodovia, tornará a estação um centro de controle operacional das composições que trafegam em direção ao Porto de Santos e em sentido contrário. O projeto foi elaborado pelo arquiteto Laerte Gonzalez. Para execução, foi contratada uma empresa especializada na recuperação de elementos originais, como telhas, tijolos madeira estrutural da cobertura e argamassa de revestimento.

As arquitetas Cristina Machado e Fabiula Domingues, da Contemporânea, consideram que a recuperação das estações ferroviárias cria novas possibilidades turísticas e econômicas para esses locais. “Nossa maior ambição é fazer com que o patrimônio histórico seja cada vez mais compreendido pela sociedade. Um bem restaurado, além de permitir novas experiências, é um legado para as futuras gerações”, disse Cristina.

Durante a execução da obra, de forma virtual ou com as cuidados exigidos pelo distanciamento social, serão oferecidas atividades educativas sobre as riquezas e o patrimônio histórico da região.

Conforme a prefeitura de Santo André, nos últimos três anos foram restaurados espaços de relevância histórica da Vila de Paranapiacaba, como o Museu Castelo, a Igreja do Bom Jesus, a estação do Trem Expresso, a Torre do Relógio, que ostenta o grande relógio fabricado pela Johnny Walker Benson, de Londres.

A vila é um distrito de Santo André e surgiu como centro operacional e residência para funcionários da São Paulo Railway a partir de 1867, quando a linha foi inaugurada. Desde 1987, o complexo ferroviário de Paranapiacaba é tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat).

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