Ameaça de morte contra cadeirante teria partido de delegacia, diz advogado

Telefonema teria partido da Delegacia Seccional de São José dos Campos; advogado alega ter sido agredido por delegado, após uma discussão sobre uma vaga para cadeirantes em estacionamento

João Carlos de Faria, Especial para O Estado

10 Fevereiro 2011 | 19h23

TAUBATÉ - Um inquérito foi instaurado quinta-feira, 10, pela Corregedoria da Polícia Civil de São José dos Campos, tendo como possível vítima de ameaça de morte, o advogado e cadeirante Anatole Magalhães Macedo Morandini.

 

A ameaça de morte, que segundo o advogado teria ocorrido na tarde do dia 28 de janeiro, foi feita por meio de ligação de um telefone da Delegacia Seccional da Polícia Civil, conforme ele constatou ao ligar para o mesmo número, logo em seguida.

 

Ele teria sido atendido por alguém da Delegacia Seccional e pediu para falar com o delegado assistente Sidney Dorce, que o orientou a registrar Boletim de Ocorrência. No momento da ligação, 14 policiais encontravam-se na delegacia e todos devem ser ouvidos.

 

De acordo com processo que corre na 4ª Vara Criminal da cidade, o advogado e cadeirante teria sido agredido em 17 de janeiro, pelo delegado Damásio Marino, após uma discussão por causa da ocupação irregular, pelo policial, de uma vaga para deficientes, no centro da cidade. O caso ganhou repercussão nacional.

 

"Estamos iniciando um novo procedimento, com base nas declarações do advogado e nas deveremos ouvir as pessoas que, em tese, estariam mais próximas do aparelho de onde teria sido gerada a ligação", disse ao Estado, o delegado corregedor Antonio Álvaro Sá de Toledo. O celular de Morandini foi recolhido pela polícia para perícia e o inquérito tem 30 dias para ser concluído.

 

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) informou que pretende pedir a quebra do sigilo telefônico do aparelho, de onde teriam sido originadas as ligações, com as ameaças, dependendo dos resultados das investigações.

 

Segundo o presidente Regional de Direitos e Prerrogativas da OAB, Onivaldo Freitas Junior, sendo confirmadas as ameaças, que será pedida proteção policial ao cadeirante.

 

Morandini não foi encontrado para falar sobre o caso, mas anteriormente havia declarado à imprensa, que teme que esteja sendo seguido e que seu celular estivesse grampeado.

A Delegacia Seccional de São José dos Campos informou, por meio de nota, que não poderia se manifestar sobre a denúncia, por se tratar de uma investigação que está sendo feita pela Corregedoria.

 

O delegado Damásio Marino, que era titular do 6º Distrito Policial da cidade, foi afastado do cargo no dia 20 de janeiro - com redução de 30% no salário - e deve responder pelos crimes de injúria, ameaça e lesão corporal dolosa, agravados por abuso de autoridade e violação de dever.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.