Werther Santana/AE
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Ambulantes deixam área da Feira da Madrugada, mas prometem retorno

Manifestação teve início na madrugada desta terça, 25, contra a fiscalização do comércio ilegal na região; camelôs dizem que voltarão ao local ainda esta noite

Agência Brasil,

25 Outubro 2011 | 16h20

SÃO PAULO - Os vendedores ambulantes do bairro do Brás, região central de São Paulo, decidiram deixar a Rua Oriente enquanto aguardam uma resposta da prefeitura sobre a permanência ou não da chamada Feira da Madrugada no local. Durante a madrugada desta terça, 25, camelôs sem licença para montar bancas nas ruas se envolveram em confrontos com fiscais da prefeitura paulistana e policiais militares. No final da manhã, uma comissão foi chamada para uma reunião na subprefeitura da Mooca (zona leste) para discutir o problema.

 

De acordo com representantes do Sindicato dos Ambulantes Independentes de São Paulo, os camelôs vão voltar para as ruas esta noite, seja para montar bancas ou para retomar as manifestações, caso a prefeitura decidida manter a decisão de coibir o comércio ilegal.

 

Durante toda a manhã, a maioria das lojas permaneceu fechada. Os comerciantes temiam novas confusões e tumultos nas ruas. Yasser Ghobar, que vende roupas, reclamou do prejuízo causado pelo fechamento da loja, mas disse que os camelôs em nada atrapalham os lojistas tradicionais. "Eles começam a trabalhar às 3h da madrugada e às 8h da manhã não tem mais nada. Para nós não atrapalha. Mas quando tem essas confusões as pessoas não vêm comprar".

 

O comerciante George Barros, por sua vez, disse que a Feira da Madrugada até atrai compradores para as lojas. Durante a manhã, ele manteve a porta da loja fechada. "Eu sou a favor de que a feira continue de madrugada de uma forma organizada. Na calçada, não atrapalha ninguém". Ele ressaltou que, há três anos consecutivos, convive com esse problema, sempre nessa época do ano, quando o Natal se aproxima.

 

Alex Omar Cabral, um dos representantes dos ambulantes, defende o trabalho nas ruas. "Não prejudicamos nada, porque ficamos de madrugada, quando o comércio está totalmente fechado. Nós contribuímos para a melhoria da cidade e fizemos dessa área um polo de compras". Para ele, o argumento de que os produtos vendidos são ilegais, assim com a permanência deles no local, é apenas uma forma de desestabilizar o grupo.

 

Débora dos Santos disse que trabalhou como camelô a vida inteira e que não sabe o que poderia fazer caso seja proibida de montar a banca de produtos. "Eu tenho 31 anos, nunca trabalhei registrada [com carteira assinada] e não tenho estudo. Eu pergunto, qual a empresa que abrirá uma porta para mim?".

 

De acordo com o major da Polícia Militar Wagner Rodrigues, do comando de policiamento para a área central da cidade, a ação para coibir o comércio ilegal começou na noite de ontem e visava a impedir a montagem da Feira da Madrugada. Foi quando um grupo de cerca de 200 pessoas protestou contra a ação. "Houve alguns atos de vandalismo praticados por ambulantes, que incendiaram dois veículos na madrugada, mas durante a manhã, ficou tudo tranquilo. Estamos conversando com as lideranças e não houve mais confronto", disse o major.

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