Tulio Kruse/Estadão
Tulio Kruse/Estadão

AMAs do Jaraguá funcionam sem pediatra e remédio básico

Duas unidades no distrito ficaram sem a especialidade para atender emergências e usuários foram encaminhados para Perus e Pirituba

Tulio Kruse, O Estado de S. Paulo

09 Julho 2015 | 12h37

O distrito de Jaraguá, na zona norte de São Paulo, ficou sem pediatra para atendimento médico emergencial em suas duas unidades da Assistência Médica Ambulatorial (AMA) na terça-feira, 8. Enquanto a AMA City Jaraguá estava sem médicos, a unidade do Jardim Ipanema tinha apenas dois clínicos gerais em atendimento - um a menos do que é exigido pelo contrato das administradoras com a Prefeitura de São Paulo. Segundo relato de pacientes e funcionários, com a frequente falta de médicos, a população nesses postos é orientada a buscar atendimento nas unidades dos distritos de Perus e Pirituba. 

Além de equipes médicas defasadas, há problemas com o abastecimento de remédios. Os dois postos de saúde do Jaraguá estão sem estoque de Omeprazol desde segunda-feira, 6, um medicamento básico para o combate de problemas gástricos e dores generalizadas. Uma funcionária da farmácia relatou que o remédio não será reabastecido antes do dia 15 de julho. Na AMA City, segundo relatos de pacientes, as cápsulas de Vitamina B6 também estão em falta e não há previsão para a chegada de um novo lote do remédio.

A falta de médicos na AMA Jardim Ipanema foi comunicada por um leitor do 'Estado' via Whatsapp. O estudante universitário Geraldo Ramos Júnior, 31, disse que na segunda-feira não havia nenhum médico atendendo no local, o que foi confirmado por outros pacientes que conversaram com a reportagem. "Muitos precisam da saúde pública e tenho a obrigação de denunciar este problema", disse Júnior.

Se tiver um problema parecido, mande seu relato para os números (11) 9-8960-4397 e (11) 9-7069-8639.

A atendente de caixa Nelma Silva, 38 anos, conta que já precisou de pediatra para sua filha de 11 anos na AMA Jardim Ipanema e foi aconselhada a procurar uma unidade de saúde em Pirituba. Para conseguir o atendimento, Nelma ficou das 9h às 22h na fila. "Antigamente, esse posto (do Jardim Ipanema) era uma maravilha, mas de uns tempos para cá piorou muito, na segunda-feira vim aqui e não tinha médico."

Quando há profissionais no local, um número maior de pacientes aparecem para consulta e as vagas para o atendimento costumam acabar cedo. Há cerca de um mês, a estudante Caroline Silva, 16 anos, chegou à AMA com tontura e dores no corpo por volta das 13h30. Não havia mais vaga no atendimento para aquela dia, apesar de o posto funcionar oficialmente até as 19h. "Como minha pressão estava normal e eu não tinha febre, não fui atendida", diz. Caroline esperou sua mãe chegar do trabalho e foi até uma clínica particular. A suspeita dos médicos é que ela tenha anemia, mas os exames ainda não eram conclusivos.

A mesma situação acontece na AMA City Jaraguá, onde na quarta não havia nenhum médico. O filho de 7 anos de Andreia Rocha, 27, estava com febre e tosse. Segundo ela, em um mês, tentou três vezes passar seu filho em consulta com um pediatra, mas sem sucesso. Foi aconselhada a procurar um profissional em Pirituba. Segundo funcionários do posto de saúde, nos últimos meses alguns médicos pediram transferência para outras regiões e um deles se aposentou. "Antigamente, eu me consultava com uma pediatra aqui que era ótima, mas ela saiu e agora está péssimo", conta Andreia.

A Unidade Básica de Saúde (UBS) City Jaraguá também enfrenta problemas com a alta demanda, gerando esperas que duram mais de três meses para exames e consultas essenciais. A dona de casa Nadir Garcia, 37, deu à luz uma filha no fim de março. Hoje é a primeira consulta da menina. "Isso é um absurdo, com sete dias ela já deveria ser atendida para os primeiros exames", diz Nadir. "Vim aqui na primeira semana e me disseram que só tinha vaga para junho e quando voltei aqui não tinha mais, só consegui passar no médico hoje."

De acordo com um médico da AMA Jardim Ipanema, que pediu para não se identificar, mesmo a equipe mínima exigida pela prefeitura não seria suficiente para suprir a demanda no local. Além disso, ele diz que a reclamação constante de pacientes também afasta muitos profissionais. "Os médicos estão à procura das melhores oportunidades de trabalho como qualquer profissional", relata o médico.

Outro lado. Questionada pela reportagem sobre a falta de médicos e remédios, a prefeitura disse, por meio de nota, que exige das organizações que administram as AMAs uma equipe mínima no posto de saúde durante todo o período de atendimento e que faz "pagamentos e descontos por tipo de serviço". Também informou que há remédios no estoque municipal, mas as farmácias são abastecidas a cada oito dias úteis. Confira a nota na íntegra:

A Secretaria Municipal da Saúde (SMS) informa que as unidades citadas são gerenciadas pela OSS (Organização Social de Saúde) SPDM. A secretaria ressalta que novas medidas estão sendo adotadas para repor médicos nas unidades administradas por essas entidades, como a exigência de equipe mínima de profissionais durante todo o período de atendimento e pagamentos e descontos por tipo de serviço, ações que não estão no modelo vigente, adotado desde 2009. A falta de médicos é um problema que afeta todo país.

Com relação à falta dos medicamentos Omeprazol e Piridoxina (Vitamina B6), a SMS esclarece que há estoque no Almoxarifado Central desses itens. Desabastecimentos pontuais podem ocorrer em algumas unidades em razão da logística de entrega. As 560 farmácias da Rede Municipal são abastecidas a cada oito dias úteis.

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