Alvos em Columbine foram os ''vencedores''

Em 1999, atiradores escolheram alunos populares; cada um refez a vida a seu jeito

Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

10 de abril de 2011 | 00h00

CORRESPONDENTE / NOVA YORK

Os sobreviventes do massacre na escola de Realengo podem ter sequelas físicas, caso tenham sido feridos, podem desenvolver traumas psicológicos ou simplesmente seguir a vida normalmente. Pelo menos essas foram as consequências no destino de centenas de estudantes americanos que sobreviveram ao ataque na Columbine High School, escola de ensino médio no Colorado, em 1999.

Há 12 anos, dois estudantes mataram 13 colegas, antes de se suicidar, em uma ação planejada e que envolveu uso de bombas e armas de fogo no mais célebre massacre da história estudantil americana, apesar de não ter sido o mais mortífero. As vítimas se dividem em três grupos.

O primeiro é o dos que ficaram com problemas psicológicos em decorrência dos ataques. Marjorie Lindholm enfrentou um trauma emocional e conseguiu se formar apenas por meio de cursos online. Ex-líder de torcida, ela decidiu escrever um livro sobre o episódio, chamado Uma História de um Sobrevivente de Columbine. Há também relatos de suicídios de parentes de vítimas que não conseguiram superar o acontecimento.

Outros nunca se recuperaram fisicamente do massacre de 13 pessoas na escola do Colorado. Sean Graves, ferido a tiros pelos estudantes Eric Harris e Dylan Klebold, ficou paraplégico. Mais de uma dezena de colegas também carregam para sempre as marcas dos disparos de abril de 1999. Os que se graduaram na escola e seguiram para a universidade ou para a vida profissional carregando o episódio apenas como uma lembrança compõem o terceiro grupo. Brian Anderson, que chegou a ser atingido por estilhaços de vidro e ficou ferido, ainda vive na cidade de Litleton e abriu uma empresa de mudanças, de acordo com um site que reúne histórias dos sobreviventes. Brooks Brown, que era próximo dos dois assassinos e chegou a ser suspeito, abriu uma loja de vídeos.

Regina Rohde foi uma das que estariam entre os que conseguiram seguir adiante com a vida. Ela se casou com um militar americano, que também estudou em Columbine, e foi para a Universidade de Virginia Tech. Em abril de 2007, ela viveria a segunda experiência de massacre, quando um estudante matou outras 32 pessoas na universidade. Na primeira vez, ela estava na lanchonete quando os dois atiradores de Columbine começaram a matança. Na segunda, por sorte, a estudante ainda não havia chegado à universidade.

Perfis. Wellington Menezes de Oliveira, que cometeu o massacre em uma escola no Rio, sofria de bullying e tinha diagnóstico de esquizofrenia. Seu estado não era muito diferente do de assassinos envolvidos em ataques em escolas e universidades americanas como na Columbine High School e na Universidade de Virginia Tech.

Seriam alunos que não se integram, nos Estados Unidos, a um sistema em que os estudantes são muitas vezes estereotipados entre vencedores e perdedores.

No ensino médio (high school), os supostos vencedores costumam ser os atletas e as líderes de torcida, verdadeiras celebridades que figuram como personagens principais de filmes e séries de TV, sempre como estrelas. Em Columbine, os assassinos Eric Harris e Dylan Klebold, ao realizarem os disparos, buscavam justamente os estudantes que tivessem bonés brancos, usados pelos jogadores de futebol americano e de basquete da escola no Colorado.

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