Gehl Architects/Divulgação
Gehl Architects/Divulgação

Audiência de projeto de requalificação do Anhangabaú é adiada

Prefeitura alega superlotação de espaço, mas não divulga nova data de evento; protesto com mais de mil pessoas era aguardado no local

Bruno Ribeiro, O Estado de S. Paulo

31 Julho 2015 | 12h37

(Atualizado às 17h50)

SÃO PAULO - A gestão Fernando Haddad (PT) cancelou a apresentação que seria feita na tarde desta sexta-feira, 31, do projeto de requalificação urbana do Vale do Anhangabaú, no centro da cidade. A explicação oficial é que o evento, marcado pelo Facebook, tinha muito mais confirmações do que a capacidade da Praça das Artes, prédio com área de 29 mil m². Uma nova data para a apresentação do projeto deverá ser marcada na primeira quinzena de agosto.

Na hora da apresentação estava marcado, também, um protesto de movimentos de defesa da população de rua, temerosos de que a proposta expulse a população do centro.

"O adiamento da apresentação do projeto de requalificação do Vale do Anhangabaú se deu por conta do número de confirmações no evento do Facebook extrapolar excessivamente a capacidade de lotação da Praça das Artes, que comporta 200 pessoas de acordo com o alvará de funcionamento. O número não representa nem 1/10 da quantidade de pessoas confirmadas no Facebook, que chegou a quase 3 mil. Isso sem contar as outras formas de convite à população, feitas também por email, por exemplo", diz a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano, em nota.

Antes de o evento ser suspenso, houve uma tentativa de diálogo entre a Prefeitura e o Coletivo Autônomo dos Trabalhadores Sociais (Catso), grupo que conta com apoio da Pastoral de Rua da Igreja Católica, e tinha marcado protesto contra a proposta com quase duas mil confirmações. A Secretaria Municipal de Direitos Humanos chegou a enviar convite para uma reunião prévia, antes da apresentação do projeto, em que reconhecia a legitimidade do movimento e sugeria aproximação com o grupo.

"A Prefeitura tem organizado um evento no Facebook que tem tomado alguma proporção e visibilidade de forma inesperada. Pudemos observar, também, que o CATSO propôs uma manifestação, antes de tudo, legítima, no mesmo local e horário, que também tem adquirido volume na internet", diz trecho do convite, publicado pelo coletivo no Facebook. 

"Num diálogo desta secretaria com os responsáveis pelo projeto na SP Urbanismo, levantamos a possibilidade de convidá-los para que possamos, antes de sexta-feira, estabelecer um diálogo a respeito do projeto, sua metodologia e a forma como foi construído. Nossa disposição é de destensionamento", continuou o texto da Prefeitura.

A resposta do grupo, entretanto, foi negativa: "Se quiserem falar algo que contem suas histórias na sexta no evento que lançaram para tentar nos convencer das tramas que já foram feitas", diz carta de resposta, também publicada nas redes sociais.

A resistência do grupo é decorrente do temor que a proposta faça "gentrificação" do centro da cidade, a expusão de moradores de rua e ambulantes sem oferta de uma alternativa de moradia e ocupação.

A Prefeitura, por sua vez, afirma que o projeto é "uma construção coletiva, não autoral, realizado durante o processo Centro Diálogo Aberto, ocorrido ao longo dos anos de 2013 e 2014, e estabelecido a partir de um diálogo entre arquitetos, planejadores, técnicos da prefeitura e diversos representantes da sociedade civil".

O escritório dinamarquês Gehl Architects, chefiado por Jan Gehl, e que assina propostas de revitalizações em Nova York, Londres e Sydney, coordenou a realização dos estudos metodológicos das mudanças. O projeto básico, que será apresentado, foi feito por uma equipe local. O escritório já planejou mudanças paisagísticas nos Largos São Francisco e do Paissandú, também no centro.  

Segundo nota da Prefeitura, o projeto de revitalização do Vale do Anhagabaú está sendo financiado com recursos da Operação Urbana Centro, e já teve autorização do grupo gestor dos recursos da operação. 

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