Alvará tinha vencido, admite dono de boate

Delegado diz que houve negligência e vai indiciar responsáveis por homicídio culposo

ELDER OGLIARI / SANTA MARIA, O Estado de S.Paulo

28 Janeiro 2013 | 02h03

Um dos três donos da boate Kiss, em Santa Maria (RS), prestou depoimento ontem à Polícia Civil e admitiu que a casa noturna estava com o alvará vencido e que havia entrado com pedido de renovação do documento em agosto. O delegado Sandro Meinerz, responsável pela investigação, disse que agora será apurado por que a licença ainda não havia sido liberada. Até ontem a noite, foram ouvidos depoimentos de outras 16 pessoas, incluindo integrantes da banda que se apresentava na hora da tragédia.

A polícia já sabe que uma fagulha de um tipo de fogo de artifício conhecido como "sputnik" ou "chuva de prata", usado pela banda Gurizada Fandangueira para a parte pirotécnica do show, entrou no sistema de exaustão da casa noturna e provocou o incêndio. O que falta esclarecer é qual é a culpa que integrantes do conjunto musical, promotores da festa, responsáveis pela boate e autoridades tiveram na tragédia. Meinerz diz que houve negligência e que, ao final do inquérito vai haver indiciamento por crimes de incêndio e homicídio. "Doloso (com intenção de matar) não foi, mas culposo (sem intenção) certamente", afirma.

Além da fagulha inicial, contribuíram para a tragédia a falta de uma segunda saída e a possível retenção, pelos seguranças da casa, dos primeiros clientes que tentavam deixar o local, para que apresentassem suas comandas quitadas, situação relatada por alguns dos jovens que conseguiram escapar do tumulto e correr para a estreita rua, onde ainda havia o obstáculo dos carros estacionados. "Algumas pessoas noticiaram que os seguranças tentaram reter frequentadores nos primeiros minutos da tentativa de sair", revela. "Se isso ocorreu mesmo, é muito grave."

Entre os itens a serem apurados pela polícia está a informação de que a casa funcionava com um alvará já vencido, mas tinha encaminhado a emissão de um novo. "É prematuro dizer algo, mas talvez a casa estivesse operando com lotação acima da capacidade permitida", comenta. "Teremos de saber se foi concedido alvará, por que não havia sido renovado, se houve vistoria e pedido de reparos e, em caso positivo, se os reparos foram feitos", prossegue.

Evitando entrar em detalhes, o delegado também revela que a polícia quer saber se os proprietários declarados da casa noturna eram os mesmos que operavam a boate. Além disso, vai apurar se havia uma autorização para o show pirotécnico dada pelos bombeiros.

Banda. Meinerz afirmou ainda que um dos integrantes da banda que tocava no estabelecimento - cuja apresentação supostamente teria dado origem ao incêndio, durante espetáculo de pirotecnia - foi ouvido pelos policiais que investigam o caso. Ele não forneceu detalhes desse depoimento porque não acompanhou o testemunho do músico. Outro membro da banda morreu no incêndio. / COLABOROU GUILHERME WALTENBERG

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