Weimer Carvalho/AE
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Alunos-turistas 'invadem' SP. E chegam sem parar

Eles já representam o 4.º maior grupo que visita a capital; maioria é jovem (de 18 a 24 anos) e prefere cursos de curta duração

Artur Rodrigues e Nataly Costa, de O Estado de S. Paulo,

15 de janeiro de 2012 | 03h08

Uma boa mala virou objeto tão necessário quanto caderno e caneta para alguns estudantes em São Paulo - em especial para os que vêm de outros Estados para fazer cursos de pós-graduação. Segundo o Observatório de Turismo da Cidade, os estudos já são a quarta maior motivação de viagens para a cidade, à frente do turismo médico e de visitas a parentes. O que atrai os alunos-turistas é a especificidade dos cursos paulistanos.

O professor de Filosofia Luciano Magalhães Alves, de 38 anos, por exemplo, até procurou em Campo Grande, onde mora, um curso tão peculiar quanto "Espinosa e seus afetos", que fez na Casa do Saber, em São Paulo. "Acompanho sempre os cursos nessa área pela internet. Acabei unindo uma visita cultural a São Paulo, para ir a teatro e museus, com um curso no fim de semana", diz o sul-mato-grossense.

A pesquisa do Observatório de Turismo mostra que 24% dos turistas estudantes de São Paulo ficam em hotéis e outros 13%, em albergues. O restante se divide entre apartamentos alugados e casas de amigos e parentes. A maioria é jovem - tem entre 18 e 24 anos -, mas a alta procura de cursos de curta e média duração também é uma tendência entre os mais velhos.

O produtor cultural Gabardo Júnior, de 42 anos, passou seis meses pegando avião toda terça-feira à tarde de Curitiba para São Paulo. Fazia check-in no hotel, assistia à aula de Gestão Criativa na Escola São Paulo e voltava na quarta-feira de manhã para a capital paranaense. "Gostei tanto que vou voltar para fazer outro. Hoje em dia, para quem consegue se programar com antecedência não sai tão caro."

Quando decidiu fazer uma pós-graduação de um ano e meio na Academia Brasileira de Jornalismo Literário (ABJL) em São Paulo, a jornalista e moradora de Salvador Flávia Vasconcelos, de 26 anos, arrumou logo uma atividade extracurricular: a pesquisa de passagens aéreas baratas. "Me cadastrei nos sites das companhias para saber das promoções. Comprava algumas passagens antecipadamente. Cheguei a conseguir por R$ 120." Ela arrumava as malas a cada 15 dias para viajar para São Paulo. No total, chegou a rodar 64 mil quilômetros - o equivalente a mais de uma volta e meia ao redor do mundo.

Coordenador do curso de Flávia, Rodrigo Stucchi afirma que ela não é exceção. "Nas turmas de fim de semana, mais da metade dos alunos é de fora de São Paulo." Segundo ele, a variedade de sotaques só enriquece a experiência em sala de aula. "São modos de vida diferentes. Isso faz com que um aprenda com o outro, e isso inclui os professores", afirma Stucchi.

A farmacêutica Marina Aparecida Alves Brito, de 50 anos, não achou em Goiânia a pós-graduação que queria. Pela internet, só conseguiu encontrar uma especialização em hemoterapia no Senac de São Paulo. "Não é fácil fazer curso fora, demanda muita dedicação e empenho. Viajar sempre é exaustivo."

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