Alunos também usam skate para ir e voltar do colégio

Estudantes dizem que opção é mais divertida do que carro e dá 'adrenalina'

Juliana Deodoro, O Estado de S. Paulo

02 Setembro 2012 | 03h03

Todos os dias, o estudante Bruno Youn Lee, de 16 anos, enfrenta quase 9 quilômetros em cima de um skate no trajeto entre sua casa, na Chácara Klabin, zona sul, e o colégio, em Cerqueira César, região central.

O jovem prefere atravessar toda a Rua Vergueiro e a Avenida Paulista na longboard a ir de carro com o motorista da família, que até o ano passado o levava e buscava diariamente. "Dá uma adrenalina antes de chegar à escola. O sono passa e é muito mais divertido", diz.

Tudo começou quando Bruno decidiu ir de skate ao colégio em um sábado de atividade. "Vi que não era tão longe e resolvi usá-lo todos os dias mesmo."

Pela manhã, como o trânsito está tranquilo e menos gente trafega pelas ruas, ele não enfrenta muitos obstáculos e faz o trajeto em 40 minutos. Na volta, porém, Bruno não tem paciência com os inúmeros pedestres. Cede então ao conforto e volta de carro para casa.

"Entre meus colegas, nenhum acredita que eu vou de skate. Todos acham que o motorista me deixa na esquina da escola e eu termino de chegar de skate, só porque ele me busca na volta. Acho que, se a maioria das pessoas pudesse escolher entre skate e motorista, elas iriam de motorista. Não é o meu caso."

Pedro Ianhez, de 18 anos, diz que trocou a bike pelo skate por insistência da mãe. "Ela não gosta muito de bicicletas", conta. Em menos de dez minutos, ele consegue fazer o percurso entre sua casa e a escola, que fica no Itaim-Bibi, zona sul. A preferência pelo skate, segundo ele, é simples: "É mais portátil que a bicicleta e pode ser aliado a outros tipos de transporte público, pois cabe na mochila".

Pedro já consegue identificar as melhores rotas, adaptadas à situação de cada dia. "Com o tempo, você vai pegando experiência, descobrindo o melhor caminho e dá para ir tranquilo, curtindo", diz. O estudante evita as grandes avenidas e escolhe as ruas com melhor asfalto. Mesmo com esses cuidados, Pedro reclama das condições. "Os motoristas não te respeitam. As avenidas são frenéticas e as ruas menores têm muitos buracos."

Parque. Felipe Freitas, de 15 anos, estuda perto do Parque do Ibirapuera. A proximidade do parque o motivou a levar seu skate todos os dias para a escola. Em vez de voltar para casa de carro ou ônibus, o jovem agora usa as rodinhas no trajeto. "Já fui quase atropelado no último ano", revela. "Para diminuir o risco, uso todos os equipamentos de segurança: capacete. joelheira, cotoveleira e luvas."

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