Alunos são cobrados como universitários em escolas do NE

Em Pernambuco e na Bahia, colégios bem avaliados investem em qualificação e dedicação dos estudantes

Heliana Frazão e Luciano Coelho, Especiais para o Estado, e Angela Lacerda, O Estado de S.Paulo

27 Novembro 2013 | 02h10

As melhores escolas do Nordeste no ranking do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) têm algo em comum: tanto o Colégio Aplicação, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), quanto o Colégio Helyos, em Feira de Santana, na Bahia, investem na qualificação dos professores e na dedicação dos alunos. Os estudantes são cobrados como universitários.

Fundado em 1992, o particular Helyos é o sétimo mais bem avaliado do Brasil e está no topo do Nordeste. Segundo a coordenadora do ensino médio, Patrícia Moldes, o êxito se deve a uma rotina de aulas bem dadas, corpo profissional motivado e um modelo pedagógico personalizado, que prioriza o crescimento individual dos alunos. São 800 estudantes matriculados entre o maternal e o ensino médio.

"Desde a criação do Enem temos figurado como o melhor do Estado e entre as melhores pontuações do País", disse Patrícia. "Não temos receita, mas o nosso lema é: aula dada é aula estudada e aprendida, para não acumular conteúdos."

Em relação às novas tecnologias, Patrícia garante que o colégio usa apenas o material básico existente em qualquer escola do País. Porém, a coordenadora destaca a permanência do corpo de professores, coordenadores e funcionários sem grandes alterações e o acompanhamento próximo, no desenvolvimento dos alunos. "Existe no nosso colégio uma atmosfera que estimula os alunos a estudar."

O Colégio Aplicação, da UFPE, no Recife, é o segundo colocado no Nordeste e o nono no País no ranking do Enem, embora a avaliação não seja o foco da escola. "Não nos preocupamos nem preparamos os alunos para isso, tampouco esse desempenho é usado para fazer propaganda do nível do colégio", afirmou o diretor da instituição, Alfredo Matos, para quem "não há fórmula mágica" para uma boa performance.

Para ingressar no Aplicação - que oferece vagas do 5.º ano do ensino fundamental ao 3.º ano do ensino médio -, o estudante tem de passar por uma seleção. A disputa é grande: em média, de 2 mil candidatos para 60 vagas. "Quem entra aqui já demonstra ter interesse em aprender e se desenvolver", disse Helena Portilho, de 15 anos.

Para o professor de Pesquisa e História da Ciência, José Aércio Chagas, "há uma efervescência" no colégio. "Temos aqui a atmosfera de uma escola científica." Mas há um lado negativo: a precariedade da infraestrutura, no que concordam professores e alunos. "Há salas sem ar-condicionado nem ventilador e a burocracia, as licitações impedem agilidade para a solução dos problemas", afirmou Adriana Rosa, vice-diretora e professora de Português.

Redação. Nenhum colégio do Piauí figurou nas primeiras colocações do ranking da prova objetiva do Enem, mas dois estão entre as dez maiores notas de redação: Lerote, em quinto lugar, e CEV, em nono.

Segundo os coordenadores das escolas, o planejamento e o estudo dirigido fizeram a diferença para o desempenho dos alunos. A professora Norma Fassi, coordenadora de Português do Lerote, disse que há uma preparação específica. "Fizemos oficinas de redação e de leitura para preparar os alunos. Eles são preparados desde que ingressam no colégio e não só para uma prova. Estamos colhendo os frutos do trabalho."

Segundo Norma, os estudantes têm aulas de 7h10 às 13h20 e participam de atividades complementares das 18h às 19h20. "É um reforço que acontece durante todo o ensino médio. Temos três professores em sala de aula acompanhando os alunos de forma mais individualizada. Temos uma média de 20 alunos por sala e um acompanhamento de perto. Eles leem e produzem um texto por semana. Nosso diferencial é o planejamento educacional", disse Norma. O Lerote tem 30 anos, 1,2 mil alunos e 120 professores.

"Esse resultado nos incentiva mais, e há quatro anos estamos entre os melhores, mas temos destaques também em olimpíadas", afirmou.

O perfil do aluno do Lerote é de classe média alta, uma vez que as mensalidades são em torno de R$ 800, mas há bolsas e ações de responsabilidade social, com trabalho social.

Mais conteúdo sobre:
Enem

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.