Evelson de Freitas/AE
Evelson de Freitas/AE

Alunos provocam quebra-quebra em escola onde Serra estudou

Jovens teriam entrado na escola para vender drogas, segundo o secretário da Educação Paulo Renato Souza

Carolina Freitas, da Agência Estado,

14 Maio 2009 | 16h54

Estudantes depredaram a Escola Estadual Professor Antônio Firmino de Proença, na Mooca, zona leste da capital, nesta quinta-feira, 14, depois que dois ex-alunos foram tirados de dentro do prédio da escola. Os jovens seriam traficantes de drogas e teriam entrado no prédio sem autorização da direção da escola, de acordo com o secretário do Estado de Educação de São Paulo, Paulo Renato Souza. A escola é a mesma onde o governador do Estado, José Serra (PSDB), concluiu o Ensino Médio.

 

Segundo Paulo Renato, a diretora da escola chamou a Polícia Militar para retirar os ex-alunos da escola. Os jovens alegaram ter sofrido agressões dos policiais. "Ao serem retirados, eles alegaram que estavam sendo espancados e se produziu uma revolta entre os alunos, que quebraram alguns vidros da escola", disse Paulo Renato, após participar de evento da secretaria na zona sul.

 

O secretário disse não haver informações sobre uma possível ação violenta da PM. "Os alunos alegam terem sido espancados, mas não é a informação que nós temos da PM", disse. "A informação é de que eles (policiais) estariam tentando retirar esses dois alunos, que seriam traficantes."

 

A Secretaria da Educação informou que os dois alunos apreendidos apresentam antecedentes de mau comportamento e estavam proibidos de entrar na escola fora de seus períodos escolares - um estuda à tarde e o outro, à noite. A pasta destacou que os reparos necessários já foram efetuados e que as aulas ocorrerão normalmente nesta sexta, 15. "O Conselho da Escola vai analisar o caso dos dois adolescentes e de mais três jovens identificados como participantes dos atos de vandalismo", informou a secretaria.

 

Serra

 

O governador José Serra (PSDB) disse que anunciará ainda este mês um pacote de combate à violência nas escolas. No início da tarde desta quinta-feira, uma revolta por causa da prisão de dois alunos por policiais militares na Escola Estadual Professor Antônio Firmino de Proença, na Mooca, zona leste da capital, deixou danificado o prédio onde Serra estudou por quatro anos.

 

"O programa vai estar neste mês todo formalizado", afirmou o governador há pouco no Palácio dos Bandeirantes. O pacote já havia sido prometido para fevereiro pela então secretária de Educação, Maria Helena Guimarães. Até hoje, no entanto, nada foi apresentado. Em entrevista coletiva em 20 de janeiro, Maria Helena disse que o plano estava "basicamente pronto" e seria anunciado "nos próximos 15 dias".

 

O problema da violência nas escolas paulistas ganhou destaque em novembro, quando uma briga generalizada entre alunos da Escola Estadual Amadeu Amaral, no Belém, zona leste, terminou com uma jovem ferida e o prédio depredado. Estudantes jogaram carteiras pelas janelas, quebraram vidros e arrombaram portas. Para fugir da confusão, professores se trancaram em uma sala. A desordem só teve fim com a chegada da Polícia Militar.

 

O governador tratou da confusão de hoje na Mooca como "um evento de violência". "Foi uma confusão aprontada por dois alunos fora de horário. A diretora chamou a polícia e aí deu problema", disse. "Não é um fenômeno que está se agravando no Estado de São Paulo. Estamos trabalhando para diminuir isso."

 

Serra cursou dois anos de ginásio, em 1955 e 1956, e dois anos de Científico, em 1958 a 1959, na escola Antônio Firmino. Em 1957, estudou em outro colégio. "No meu tempo não tinha isso, não", disse o governador. Questionado se ficara chateado ao ver o lugar onde estudou depredado, respondeu: "Eu ficaria chateado se fosse em qualquer escola. Não precisa ter sido na em que eu estudei."

 

Combate à violência - Serra evitou detalhar o pacote de combate à violência na escola. Em janeiro, a ex-secretária Maria Helena disse que o plano previa a criação de um setor de prevenção à violência dentro da estrutura da Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE), entidade responsável por executar as políticas educacionais do Estado.

 

Professores e diretores seriam treinados para ajudar na prevenção de casos de violência nas escolas. As instituições de ensino passam a contar ainda com um programa para a mediação de conflitos e a Ronda Escolar seria intensificada, com a ajuda de um capitão da PM designado pela Secretaria de Segurança Pública.

 

(Com Elvis Pereira, da Central de Notícias)

 

Atualizada às 18h59

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.