Alunos planejam fazer piquetes e greve estudantil

Bastidores: Bruno Paes Manso

O Estado de S.Paulo

09 Novembro 2011 | 03h07

A tensão política na USP, com a possibilidade de greve estudantil e piquetes, deve manter-se pelo menos até os dias 22, 23 e 24 deste mês, quando ocorrem as eleições para o Diretório Central dos Estudantes (DCE) da USP. Representantes de correntes radicais que lideraram a invasão da Reitoria, como a Liga Estratégia Revolucionária - Quarta Internacional (LER-QI), o Movimento da Negação da Negação (MNN) e os Partidos da Causa Operária (PCO) e Operário Revolucionário (POR) lançaram a chapa 27 de Outubro - Unidade na Luta contra a PM e os Processos (o nome faz referência ao dia em que os três estudantes da Geografia foram detidos com maconha) e ganharam visibilidade.

A estratégia da ocupação causou comoção entre parte dos estudantes nos últimos dias, que passaram a se reunir em aglomerações crescentes. Na assembleia de segunda-feira, que antecedeu a reintegração de posse feita pela PM, cerca de 400 alunos votaram por aclamação pela permanência da ocupação, considerada, consensualmente, a melhor estratégia para pressionar pela retirada da PM.

O sucesso político dessa tática também poderá ser sentido pela reaproximação dos atuais integrantes do DCE, ligados ao Psol, que haviam rachado com os radicais ao se posicionarem contra a ocupação da Reitoria. Integrantes do DCE ajudaram na delegacia a articular a defesa dos invasores e organizam uma nova assembleia para decidir os próximos passos dos estudantes. Todos parecem unidos em torno da proposta de greve feita pelos alunos detidos. A expectativa é de que ainda o Psol possa se juntar aos radicais na disputa pelo DCE.

Nesse caso, a esquerda concorre com as chapas do PT e de estudantes do movimento Liberdade, que se definem como apartidários e lançaram a chapa Reação. A Reação defende a permanência da PM na USP e quer ampliar as consultas aos estudantes. Em 2009, depois de uma série de greves e movimentos, eles perderam a eleição pela pequena diferença de 55 votos, depois que urnas da Faculdade de Economia e Administração (FEA) foram impugnadas. A expectativa é de que sejam bem votados no próximo pleito.

Por outro lado, a aposta das esquerdas agora é de que a leitura dos alunos da USP será favorável às bandeiras que defendem. E assim decidirá as eleições.

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