Alunos deixam edifício e vão para hotéis da região

Uma aluna da FGV de 21 anos diz que duas amigas estrangeiras foram vítimas do arrastão ocorrido no domingo. "Elas estão muito assustadas e se mudaram para um hotel." Na tarde de ontem, aliás, grande parte dos estudantes que residiam no local optou por uma residência alternativa.

O Estado de S.Paulo

24 Abril 2012 | 03h04

Os estudantes não descartam a possibilidade de o arrastão ter sido planejado por pessoas que já frequentaram as tradicionais festas do local. "Os gringos chamavam qualquer um para as festas, não trancavam as portas. Nós aconselhávamos a tomar cuidado, mas eles nos chamavam de elitistas", disse a estudante da FGV.

O Edifício Santa Amália ficou famoso pelas festas quase semanais realizadas pelos estrangeiros. O entra e sai de estudantes é frequente no prédio de 14 andares, que não tem câmeras de segurança nem vigilantes, mas cobra caro pelo aluguel de quartos. O preço da mensalidade vai de R$ 800 a R$ 1 mil.

De acordo com moradores, até o 6.º andar o prédio tem dois apartamentos. A partir daí, é um apartamento por pavimento. "Do sétimo andar em diante, cada apartamento tem quatro quartos", conta a moradora Gidalva Gracelina de Santana, de 37 anos. Os quartos ainda são divididos em boxes por paredes de madeira e os banheiros de cada andar são comunitários.

"Parece um cortiço vertical, sem segurança. Mas tinha as melhores festas. Frequento desde fevereiro de 2011", diz um estudante de Direito da Fundação Getúlio Vargas, de 21 anos, que pediu para não ser identificado.

Outros estudantes da FGV contam que a indicação dos apartamentos para aluguel neste edifício é feita boca a boca entre os intercambistas e também em comunidades em redes sociais. "Alguns deles, quando chegam, se hospedam em hotel. Mas aí descobrem que no Santa Amália a festa é diária e se mudam", explica uma aluna da FGV de 21 anos.

Sem recomendação. A FGV afirma que os alunos fazem cursos semestrais. Diz ainda que indica alguns locais de hospedagem, mas o prédio no número 1.084 da Avenida 9 de Julho nunca fez parte da lista de lugares recomendados. /C.B.

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