JF Diório/Estadão
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Alunos da USP mantêm ocupação da reitoria

Em assembleia, 747 estudantes decidiram manter ocupação; PM pode ser acionada para realizar a reintegração de posse do prédio a qualquer momento

Gustavo Aleixo, O Estado de S.Paulo

07 Novembro 2013 | 07h30

Atualizado às 7h30 - SÃO PAULO - Em assembleia realizada no prédio da História-Geografia, na noite de quarta-feira, 6, estudantes da Universidade de São Paulo (USP) votaram pela manutenção da greve e da ocupação da reitoria. Após horas de discussão, 747 alunos deliberaram pela paralisação e 562 optaram pela retomada das aulas, suspensas desde o dia 1º de outubro.

Uma decisão judicial já concedeu à instituição a reintegração de posse e autorizou o uso de força policial para a retomada do prédio. Por isso, durante a madrugada, os estudantes permaneceram em vigília em frente à reitoria.

A partir de agora, a Polícia Militar pode intervir a qualquer momento, o que, segundo um dos diretores do Diretório Central dos Estudantes da USP, Pedro Serrano, seria inadmissível. "Não tem que haver reintegração de posse neste momento. Estamos em processo de negociação de duas semanas com a universidade. Fizemos a exigência de retirada do processo na Justiça, já que havia uma negociação, e a universidade se negou a fazer isso para colocar a faca no pescoço dos estudantes."

Depois de o Tribunal de Justiça de São Paulo entregar aos estudantes a notificação da decisão judicial favorável ao procedimento de reintegração, uma comissão formada pela direção da USP se encontrou com os alunos e apresentou uma proposta para a saída do prédio. O termo de acordo foi submetido a votação, a maioria foi contra a assinatura do documento, o fim da greve e a desocupação voluntária da Reitoria.

De acordo com o diretor do DCE da USP, Pedro Serrano, a administração da universidade errou ao não se comprometer com a discussão sobre o processo de eleições diretas para reitor com a comunidade acadêmica. A falta de garantia de que não haverá punição aos integrantes do movimento também motivou a permanência da greve e da ocupação. "É por isso que os estudantes tiveram a compreensão que tiveram na assembleia. A universidade cometeu um golpe quando se recusou a se comprometer com a construção de um processo de estatuinte e a dar uma garantia definitiva de que não haveria punição ao movimento que está sendo realizado agora."

Nesta semana, a USP apresentou uma proposta que inclui a realização de um congresso no primeiro semestre de 2014 entre funcionários, professores e alunos.O evento serviria, inclusive, para definir mudanças no processo eleitoral e no estatuto da universidade

Está prevista uma nova assembleia geral, às 18h desta quinta-feira, para o debate sobre as ações do movimento estudantil.

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