Aluno que se matou teria dito que só queria dar susto na professora

Diretora da escola de São Caetano depõe e diz que colega do menino falou que tiros começaram como brincadeira

WILLIAM CARDOSO, O Estado de S.Paulo

27 de setembro de 2011 | 03h01

Uma brincadeira que deu errado e terminou de forma trágica. Segundo a polícia, pode ter sido essa a justificativa para os dois tiros disparados pelo aluno D., de 10 anos, na Escola Municipal Alcina Dantas Feijão, em São Caetano do Sul, no ABC paulista, na última quinta-feira. Ele se matou após ferir a professora Rosileide Queiros de Oliveira, de 38 anos. A hipótese surgiu ontem, depois que a delegada responsável pelo caso, Lucy Mastellini Fernandes, ouviu a diretora e uma orientadora do colégio.

No dia da tragédia, um dos colegas de classe de D. chegou em casa e pediu aos pais que voltassem com ele à escola, porque precisaria contar o que sabia. Ele foi recebido por uma das seis psicólogas que trabalham no local e explicou que D. havia comentado que pretendia dar um susto na professora e que tudo não passaria de uma brincadeira.

"Em seguida, com medo das consequências, ele teria dado cabo da própria vida. É uma informação que a gente toma, mas é preciso checar primeiro. Vamos confirmar com a psicóloga esse relato, saber de quem e o que ouviu exatamente", afirma Lucy.

Segundo a delegada, a história foi contada pela diretora da escola, Márcia Gallo, durante o depoimento de ontem, mas seria ainda "muito genérica", sem os detalhes necessários para traçar uma linha de investigação.

Mesmo assim, Lucy diz que a versão parece razoável. "Seria a hipótese mais plausível, por se tratar de um bom menino, sem problema com a professora. Dá a impressão de que o tiro pode ter sido acidental."

Também prestou depoimento a orientadora pedagógica Zeni Giraldi Mestre, que tinha pouco contato com o menino. A polícia recebeu ontem imagens de três câmeras da escola, mas elas ainda não foram analisadas, segundo Lucy.

Depoimentos. Pelo menos oito pessoas prestarão depoimento nesta semana. Amanhã à tarde, a psicóloga e mais cinco alunos, incluindo o que teria contado sobre a brincadeira que deu errado, serão ouvidos pela delegada na própria escola. A intenção é evitar expor os quatro meninos e a menina ao ambiente da delegacia. Eles serão acompanhados por profissionais.

Na quinta, às 10h, será a vez da professora Rosileide. O depoimento será tomado no Hospital das Clínicas, onde ela está internada se recuperando de uma cirurgia no quadril para a retirada da bala.

Ontem, a professora teria sido informada por familiares sobre a morte do aluno, algo que vinha sendo mantido em sigilo para não atrapalhar a sua recuperação.

O pai de D., um guarda-civil municipal, será ouvido na sexta pela manhã, no 3.º DP de São Caetano, onde o caso foi registrado. Ele é o dono do revólver calibre 38 usado pelo filho e diz que guardava a arma no alto de um armário. A delegada reafirmou ontem que não tem, em princípio, a intenção de indiciar o pai de D., que está afastado do serviço por tempo indeterminado.

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