Aluno que se matou teria dito que só queria dar susto na professora

Diretora da escola de São Caetano depõe e diz que colega do menino falou que tiros começaram como brincadeira

William Cardoso, O Estado de S. Paulo

26 de setembro de 2011 | 21h41

SÃO PAULO - Uma brincadeira que deu errado e terminou de forma trágica. Segundo a polícia, pode ter sido essa a justificativa para os dois tiros disparados pelo aluno D., de 10 anos, na Escola Municipal Alcina Dantas Feijão, em São Caetano do Sul, no ABC paulista, na última quinta-feira. Ele se matou após ferir a professora Rosileide Queiros de Oliveira, de 38 anos. A hipótese surgiu nesta segunda-feira, 26, depois que a delegada responsável pelo caso, Lucy Mastellini Fernandes, ouviu a diretora e uma orientadora do colégio.

No dia da tragédia, um dos colegas de classe de D. chegou em casa e pediu aos pais que voltassem com ele à escola, porque precisaria contar o que sabia. Ele foi recebido por uma das seis psicólogas que trabalham no local e explicou que D. havia comentado que pretendia dar um susto na professora e que tudo não passaria de uma brincadeira.

"Em seguida, com medo das consequências, ele teria dado cabo da própria vida. É uma informação que a gente toma, mas é preciso checar primeiro. Vamos confirmar com a psicóloga esse relato, saber de quem e o que ouviu exatamente", afirma Lucy.

Segundo a delegada, a história foi contada pela diretora da escola, Márcia Gallo, durante o depoimento desta segunda, mas seria ainda "muito genérica", sem os detalhes necessários para traçar uma linha de investigação.

Mesmo assim, Lucy diz que a versão parece razoável. "Seria a hipótese mais plausível, por se tratar de um bom menino, sem problema com a professora. Dá a impressão de que o tiro pode ter sido acidental."

Também prestou depoimento a orientadora pedagógica Zeni Giraldi Mestre, que tinha pouco contato com o menino. A polícia recebeu nesta segunda imagens de três câmeras da escola, mas elas ainda não foram analisadas, segundo Lucy.

Depoimentos. Pelo menos oito pessoas prestarão depoimento nesta semana. Na tarde da terça-feira, a psicóloga e mais cinco alunos, incluindo o que teria contado sobre a brincadeira que deu errado, serão ouvidos pela delegada na própria escola. A intenção é evitar expor os quatro meninos e a menina ao ambiente da delegacia. Eles serão acompanhados por profissionais.

Na quinta, às 10h, será a vez da professora Rosileide. O depoimento será tomado no Hospital das Clínicas, onde ela está internada se recuperando de uma cirurgia no quadril para a retirada da bala.

Nesta segunda, a professora teria sido informada por familiares sobre a morte do aluno, algo que vinha sendo mantido em sigilo para não atrapalhar a sua recuperação.

O pai de D., um guarda-civil municipal, será ouvido na sexta pela manhã, no 3.º DP de São Caetano, onde o caso foi registrado. Ele é o dono do revólver calibre 38 usado pelo filho e diz que guardava a arma no alto de um armário. A delegada reafirmou nesta segunda que não tem, em princípio, a intenção de indiciar o pai de D., que está afastado do serviço por tempo indeterminado.

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