Aluno da PUC fica meia hora à espera de socorro; TJ volta a proibir resgate por PM

Estudante levou tiro no pescoço de ladrão quando saía de faculdade em Perdizes; em vez de levá-lo ao hospital, policiais aguardaram Samu

CAIO DO VALLE, MARCELO GODOY, RODRIGO BURGARELLI, O Estado de S.Paulo

16 Maio 2013 | 02h02

Um estudante de 23 anos da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) levou um tiro no pescoço após sofrer um assalto próximo do câmpus da universidade em Perdizes, na zona oeste, na noite de anteontem. Segundo a TV Globo, os policiais não resgataram o rapaz, seguindo a polêmica norma que os impede de fazer o primeiro atendimento e que havia sido suspensa anteontem pela Justiça. Ontem, uma nova decisão judicial restaurou a validade dessa norma.

Segundo a polícia, Bruno Pedroso Ribeiro, que cursa Relações Internacionais, foi atingido após entregar o celular ao bandido, na altura do número 292 da Rua João Ramalho. O criminoso fugiu. Pedestres chamaram a Polícia Militar, que chegou minutos depois. Por isso, ele ficou 29 minutos no chão, esperando o socorro até ser levado pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) ao Hospital das Clínicas.

Ontem, ele passou por uma cirurgia para a remoção da bala. Seu quadro, segundo a assessoria do hospital, era grave. O estudante mora na região do Cursino, na zona sul, e ia embora para casa quando foi abordado. Imagens de câmeras de segurança de prédios da rua mostram um suspeito chegando em uma moto. De acordo com o delegado titular do 23.º Distrito Policial (Perdizes), Marco Aurélio Batista, há a suspeita de que mais de uma pessoa tenha participado do assalto, mas nenhuma havia sido identificada até as 18h.

Socorro. Poucas horas antes do crime, o juiz Marcos Pimentel Tamassia, da 4.ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo, havia suspendido por liminar a resolução que previa que PMs deveriam apenas isolar o local do crime e esperar a chegada de atendimento médico. Ele havia acatado os argumentos de que a resolução - cujo objetivo oficial era coibir a ação de PMs que adulteram a cena do crime com argumento de que estão socorrendo feridos - estava, na verdade, fazendo com que os policiais deixassem de prestar primeiros socorros.

O governo estadual recorreu da decisão e, ontem, o presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), Ivan Sartori, cassou essa liminar e determinou que a resolução continua válida. "Essa resolução em nenhum momento impede o socorro imediato, se for o caso", afirmou, ao suspender o efeito da liminar. Segundo ele, a norma estadual determina apenas "que o atendimento médico de emergência deve ser prestado com qualidade, o que não dispensa treinamento específico em primeiros socorros, inclusive a remoção de pacientes".

Violência. Em nota, a PUC declarou que "se solidariza com a família de seu aluno, mais uma vítima da violência urbana da cidade de São Paulo, e torce pela recuperação do estudante". Também informa que "o assalto ao aluno mostra mais uma vez que tem fundamento a preocupação da reitoria com a segurança de seus alunos, professores e funcionários".

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