Aluno da FGV foi morto por ciúme

O acusado e Bakri estavam no mesmo bar: ele cometeu o crime com ajuda do irmão porque o estudante teria paquerado sua namorada

Plínio Delphino, O Estado de S.Paulo

28 Fevereiro 2011 | 00h00

O atentado contra os estudantes da Fundação Getúlio Vargas, na última quarta-feira, em um bar a 100 metros da faculdade, na região central de São Paulo, foi motivado por ciúme. O autor do crime foi preso ontem e, segundo a polícia, confessou o assassinato de Júlio César Grimm Bakri, de 22 anos, e a tentativa de homicídio contra Christopher Akio Cha Tominaga, de 23.

Policiais do 4.º DP (Consolação) sabem que o segundo atirador é irmão do homem que prenderam. Ele está foragido e há suspeitas de que se esconde na região de Foz do Iguaçu, no Paraná, divisa com o Paraguai. Segundo a polícia, o suspeito foragido tem passagens pela polícia por roubo. Ontem, a polícia também apreendeu uma moto Falcon de cor escura que teria sido usada no crime.

A polícia investigava uma informação de que pelo menos um dos assassinos de Júlio César estava no bar da Avenida 9 de Julho, onde alunos da Fundação Getúlio Vargas costumam se reunir. Segundo investigadores, o suspeito que foi preso ontem estava com a namorada no bar.

A moça foi ao banheiro e o suspeito percebeu que os estudantes teriam "mexido" com ela. Quando a garota voltou, o namorado chamou-a para fora do bar e a levou embora. Foi a outro bar na região, onde estaria seu irmão. Contou o que acontecera. O irmão, segundo a polícia, providenciou as armas. Os dois subiram na moto e chegaram ao local onde Júlio César, Christopher e outros três amigos tomavam cerveja e jogavam baralho.

Os irmãos desceram da moto de capacete para dificultar a identificação. Na calçada, o suspeito preso fez um gesto com a cabeça, mostrando ao irmão quem eram as pessoas que mexeram com sua namorada. Em seguida, ambos entraram no bar e dispararam cerca de 15 tiros de pistola calibre 45. Cinco deles mataram Júlio César. Outros quatro deixaram Christopher ferido. Ele perdeu um rim e continua internado no Hospital das Clínicas.

Parte da ação foi registrada por uma câmera de segurança do prédio vizinho ao bar. Na fuga, percebe-se no vídeo que um dos matadores torce o pé na calçada e escapa mancando.

A namorada do suspeito preso ontem também foi levada à delegacia. Disse aos policiais, informalmente, que não percebeu que os estudantes tivessem mexido com ela. A polícia não deu mais detalhes sobre a prisão do acusado.

Inocente. Dino Fernando Peporine, de 28 anos, que foi detido na sexta-feira, passou duas noites na cadeia e teve a prisão preventiva decretada por envolvimento no crime, saiu da carceragem do 77.º DP (Santa Cecília) na tarde de ontem. Ele foi levado ao Instituto Médico-Legal para fazer exame de corpo de delito. Recebeu informações de um policial que o caso havia dado uma reviravolta e que ele seria libertado. Às17h50, estava solto.

"Estou feliz. Meu filho é inocente", disse a mãe dele, Maria Lucia Peporine, na saída do rapaz. Peporine foi recebido com fogos de artifício pelos vizinhos, amigos e parentes em São João Clímaco, na zona sul da capital paulista. Agora, quer saber quem o denunciou.

"Na sexta-feira, acordei com dois homens berrando, com armas apontadas para minha cara e dizendo "a casa caiu". Reviraram tudo atrás de uma arma que eu nunca tive. Pensei que era uma maré de azar", disse.

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