Andre Lessa/AE
Andre Lessa/AE

Aluno da FGV é executado em bar

Estudante de 22 anos foi morto por dupla que chegou de moto ao local, próximo da faculdade; polícia acredita em crime sob encomenda

Camila Haddad, Marici Capitelli, Plinio Delphino e Bruno Lupion, O Estado de S.Paulo

25 Fevereiro 2011 | 00h00

Foi um crime encomendado. Essa é a principal hipótese da polícia para a morte do universitário Júlio César Grimm Bakri, de 22 anos, assassinado com cinco tiros em um bar a cerca de 100 metros da Fundação Getulio Vargas, na Bela Vista, região central da cidade, anteontem à noite. Christopher Akio Cha Tominaga, de 24, colega dele, levou quatro tiros e até a noite de ontem permanecia internado em estado grave. Os assassinos fugiram.

"Os criminosos tinham certeza de quem eram os alvos; os outros três colegas que estavam na mesa com as vítimas não foram atingidos. Saíram se arrastando no chão para procurar abrigo dentro do bar", afirmou o delegado Paulo Afonso Tucci, titular do 4.º Distrito Policial (Consolação). Bakri era de Porto União, em Santa Catarina, e cursava o 4.º ano do curso de Administração de Empresas na FGV, assim como Tominaga.

Os assassinos fugiram em uma moto Falcon preta com a placa encoberta. Estavam de capacete para não serem reconhecidos. A polícia apurou que Tominaga e Bakri estavam no bar desde as 15h. Os jovens tomavam cerveja e jogavam baralho com três colegas. As aulas foram suspensas ontem na FGV e a instituição decretou luto oficial.

A câmera de segurança do prédio ao lado do bar registrou a chegada dos dois criminosos. Eram 21h43min18seg. Em 32 segundos a dupla deu pelo menos 15 tiros de pistola calibre 45 - exclusiva das Forças Armadas - e fugiu. Antes, eles aparecem na calçada, conversando brevemente. Um deles faz sinal, como se mostrasse quem deveria ser executado.

Na sequência, o vídeo mostra clientes do bar saindo correndo. Logo em seguida, aparecem os criminosos fugindo. Os assassinos foram descritos como homens magros, com cerca de 1m80. Um deles vestia camiseta vermelha e bermuda e o outro, calça jeans e camisa branca. Nada foi roubado das vítimas. Os rapazes foram socorridos por testemunhas, mas Bakri morreu a caminho do hospital.

Para o delegado Tucci, esse tipo de ação sugere execução. "A motivação nesses casos sempre recai em mulheres, drogas ou dinheiro." A polícia vai pedir imagens de câmeras da região para outros administradores de prédios e para a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET).

Vingança. Na delegacia, o irmão de Tominaga disse que o universitário se envolveu, há cerca de um mês, em uma briga em um bar na Liberdade, também na região central. A confusão foi com um estudante bêbado que mexeu com a namorada do rapaz. Familiares do estudante acreditam na hipótese de vingança. Um deles é o padrasto, militar reformado, que preferiu não se identificar. "Ninguém acerta alguém por acaso. Foram vários tiros na mesma direção. Me parece, sim, uma vingança", afirmou.

Amigo das vítimas, Ricardo Yai, que estuda em outra faculdade, disse à reportagem que também acredita em vingança. "Não tinham inimigos. O Christopher era mais agitado. O Júlio era muito calmo. Não mexia com ninguém nem com drogas."

O Diretório Acadêmico da FGV pediu a todos os alunos que hoje, na volta às aulas, vistam uma peça de roupa branca como forma de homenagear os dois colegas. Os representantes dos estudantes também pretendem fazer uma reunião com a escola para discutir a questão da segurança. A FGV tem seguranças particulares que ficam nos portões e nos andares durante as aulas. A instituição não quis comentar o crime. O corpo de Bakri será cremado hoje, segundo informações de familiares.

PERFIS

Estudante do 4º ano de Administração na FGV; está ferido

Do Bandeirantes para a faculdade

Christopher Akio Cha Tominaga, de 24 anos, mora com o irmão mais velho, de 25 anos. Os pais deles são separados. Os dois dividem um apartamento na Rua Joaquim Eugênio de Lima, nos Jardins. Amigos contam que conheceu Júlio na universidade. "Ele não é um aluno muito aplicado. Tem algumas matérias que não gosta muito, como Matemática e Contabilidade", contou um ex-colega de classe. O jovem, que concluiu o ensino médio no Colégio Bandeirantes em 2004, entrou na FGV no segundo semestre de 2006.

Estudante do 4º ano de Administração; morreu no bar

De Santa Catarina, morava com a irmã

Natural de Porto União (SC), Júlio César Grimm Bakri morava na Rua Frei Caneca, nos Jardins, com uma irmã. Amigos o descrevem como um rapaz extremamente calmo. "Desde que o conheço, há mais de cinco anos, nunca o vi entrar em uma briga", contou um estudante que pediu para não ter o nome divulgado. Em sua página no Facebook, Júlio, que cursou o ensino médio no Colégio Sion, descrevia como um dos seus interesses o jogo de pôquer. As postagens do universitário no site se referiam também a baladas.

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