Alunas fazem só um dia de prova

Nota final não deve servir para entrar na faculdade

Marina Azaredo e Tiago Décimo, O Estado de S.Paulo

28 de outubro de 2013 | 02h07

Foi de mau humor e arrastando as sandálias que a estudante Deise Mara Coimbra, de 18 anos, desceu do carro da mãe, na frente de uma escola de Salvador, pouco depois da abertura dos portões para o segundo dia do Enem. "Perdi a prova de ontem (sábado, 26), mas minha mãe me obrigou a vir", justificou. "Nem sei se posso fazer a prova, mas tive de vir."

Pelas regras do exame, é possível fazer somente um dia de prova, mas a nota final dificilmente servirá para o ingresso na universidade.

De acordo com a estudante, a mãe tinha oferecido carona no primeiro dia, mas ela optou por ir de ônibus com duas amigas que já tinham feito o exame no ano passado - é a primeira prova dela, que tenta vaga em Publicidade e Propaganda. Por causa do trânsito na capital baiana, conta, ela e uma das amigas não conseguiram chegar a tempo. A outra, que fez a prova em outra instituição, no caminho, conseguiu. "O clima ficou tenso quando contei que não tinha feito a prova", lembra. "Já que tive de vir, vou aproveitar para ganhar experiência."

Em São Paulo, Mariana Pereira, de 18 anos, também perdeu uma das provas: fez a do sábado, mas não a de ontem. "Quando cheguei, percebi que estava sem o RG. Até tentei ligar para o meu pai, mas não deu tempo. Ele havia acabado de chegar em casa, no Jaraguá", disse ela.

A aluna contou que ficou chateada porque gostaria de ter feito a prova de redação, para a qual considerava estar mais preparada. "Estava pronta para escrever sobre maioridade penal. Acho um assunto óbvio, mas meus professores disseram que poderia ser o tema", contou. O tema foi a implementação da lei seca no Brasil.

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