Aluna é atacada em banheiro da Poli-USP

Estudante de Engenharia de Produção relatou tentativa de estupro; clima foi tenso na unidade

Mônica Reolom e William Castanho, O Estado de S. Paulo

08 de outubro de 2013 | 21h22

Uma estudante de Engenharia de Produção da Escola Politécnica, da Universidade de São Paulo (USP), sofreu uma tentativa de estupro na manhã desta terça-feira, 8, dentro de um banheiro da faculdade, no câmpus Butantã, zona oeste da capital. Ao longo do dia, o clima foi de apreensão entre os alunos da Poli e houve manifestações de solidariedade à vitima.

O ataque aconteceu entre as 7h e 8h, segundo boletim de ocorrência registrado no 93.º Distrito Policial (Jaguaré). A vítima se dirigiu ao banheiro feminino do primeiro andar do prédio da Engenharia de Produção e percebeu que um dos boxes estava trancado. Nesse momento, havia mais mulheres no local. Quando elas saíram, a porta do boxe se abriu e a aluna foi puxada.

O agressor ainda cobriu a boca da vítima com a mão, na tentativa de evitar que ela gritasse. A estudante conseguiu reagir com cotoveladas. Ao perceber que não teria sucesso, o estuprador saiu correndo do banheiro e fugiu.  A Polícia Militar foi acionada, mas, após realizar rondas na região, não conseguiu localizar o agressor. Logo após a fuga do bandido, os primeiros a ajudar a estudante foram dois funcionários da Poli.

Segundo o delegado titular do 93.ºDP, Celso Lahoz Garcia, casos como esse não são comuns. “Relatos de estupro no câmpus são raríssimos. Até pela quantidade de pessoas que circulam no local”, afirmou. Ele disse que a vítima não apresentava lesão aparente.

A vítima informou acreditar que o agressor não fosse aluno da USP, pois estava com as roupas sujas. É investigada a possibilidade de o criminoso trabalhar em uma obra no prédio da Engenharia de Produção.

Tensão. A aluna da Engenharia Ambiental e integrante do Grupo de Estudos Poli e Gênero (Poligen) Estella Barbachan Rodrigues, de 25 anos, disse que cartazes foram afixados pela Poli. “Todas nós fomos agredidas no banheiro da Produção”, dizia uma das faixas. “Foi um absurdo o que aconteceu. Poderia ter sido com qualquer uma de nós. Vamos marcar novos atos e queremos deixar claro que não é só uma questão de segurança, é uma questão de gênero, de machismo”, afirmou.

O presidente do Grêmio Estudantil da Poli, Rafael Auad, de 21 anos, disse que havia um clima de tensão e muita especulação na faculdade nesta terça-feira. “Está todo mundo preocupado, e muitas das alunas têm receio de andar sozinha”, relatou.

Auad, que estuda Engenharia Civil, disse que o Grêmio tentou localizar a vítima e, assim que contatá-la, colocará à sua disposição a estrutura jurídica da entidade. “Na sexta-feira, haverá uma assembleia e vamos incluir a segurança na faculdade na ordem do dia”, afirmou o estudante.

A Assessoria de Imprensa da USP afirmou que há segurança privada no câmpus, mas no interior dos prédios a vigilância é de responsabilidade de cada unidade. Ainda está em vigor o convênio com a Polícia Militar de São Paulo, firmado há dois ano. A assessoria da Poli, procurada à tarde, não tinha informações sobre o caso e afirmou que a diretoria se pronunciaria nesta quarta-feira.

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