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Aluna de Engenharia denuncia trote violento com diesel em Sorocaba

Segundo relato de jovem de 18 anos, veteranos a obrigaram a ingerir bebidas alcoólicas e a beijaram à força; como resistiu, jogaram combustível em seu corpo

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

08 Fevereiro 2017 | 15h10
Atualizado 08 Fevereiro 2017 | 22h23

SOROCABA - Uma estudante de 18 anos denunciou à Polícia Civil ter sido vítima de trote violento e assédio sexual durante recepção a calouros na Faculdade de Engenharia de Sorocaba (Facens), no interior de São Paulo, na noite de segunda. 

Ela alega que estava com uma amiga, também caloura, quando as duas foram abordadas por veteranos na cantina da instituição. Eles anunciaram o trote e as levaram a um bar fora do câmpus, obrigando-as a ingerir bebidas alcoólicas. Um veterano do 4.º ano tentou beijar a caloura à força. Como ela resistiu, um estudante de outro grupo jogou óleo diesel em seu corpo. 

A aluna conta que depois disso ela apagou. Os veteranos a deixaram desacordada no portão da faculdade e outros colegas a socorreram. A universitária foi atendida por uma unidade do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Os médicos constataram lesões nos braços e hematomas. A garota também estava intoxicada pelo consumo de álcool e pelo contato com o óleo diesel. Depois de receber alta, ela e familiares denunciaram a violência à Polícia Civil.

Falando ao Estado, nesta quarta-feira, 8, com a condição de não ser identificada, a jovem contou que é de São Paulo, mas reside em Sorocaba há quatro anos. “Fazer Engenharia era um sonho, me esforcei para entrar, só não esperava esse mau início logo no primeiro dia de aula.” Ela conta que estava com uma amiga também caloura na cantina, quando foram abordadas por um grupo de veteranos. “Eles disseram: calouras, vocês têm que vir com a gente. E foram nos puxando. Eu não esperava nada demais, afinal a escola tinha colocado faixas e carro de som avisando que qualquer tipo de trote era proibido e todas as atividades eram optativas.”

Segundo a jovem, os rapazes disseram que elas seriam apenas pintadas. As duas foram levadas para um bar próximo da Facens onde estavam outros veteranos e calouros. “Aí começaram os excessos. Eles nos forçavam a beber, dizendo que ou bebia ou tinha de beijar.” Foi nesse momento, segundo ela, que um quartanista, que ela conhecia de vista, tentou beijá-la à força. Depois disso, segundo ela, os excessos continuaram, até que um dos jovens despejou óleo diesel misturado com café na cabeça dela. Atordoada, a jovem apagou. “Quando acordei, eu estava recebendo atendimento. Dois estudantes que não participaram do trote me encontraram desacordada perto do portão. Não sei como me levaram para lá.” 

A jovem disse que não vai desistir do curso nem de levar o caso à frente. Nesta quarta, com o joelho e um pé inchados em razão de uma possível queda, e com dificuldade para andar, ela não foi à aula.

Apuração e lei. A Faculdade de Engenharia de Sorocaba informou em nota que “lamenta profundamente” o trote, destacando que foi praticado fora do câmpus. “A Facens está empenhada na apuração dos fatos.” Uma lei municipal de 2013 proíbe trotes estudantis violentos em Sorocaba, fixando multa de até R$ 20 mil para o infrator.

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