Aluguel do Teatro Municipal dispara

Casar e promover apresentações artísticas no espaço centenário custam agora o dobro

DIEGO ZANCHETTA , EDISON VEIGA, RODRIGO BURGARELLI, O Estado de S.Paulo

09 Março 2012 | 03h04

A Prefeitura de São Paulo dobrou os valores cobrados pelo aluguel do Teatro Municipal para empresas artísticas de cunho comercial. O local reabriu em 2011, após reforma que levou quase 3 anos.

Quem quiser casar ou fazer qualquer evento social no Salão Nobre, por exemplo terá de desembolsar agora R$ 80 mil, reajuste de 100% sobre os R$ 40 mil cobrados no ano passado. Para a companhia de teatro ou dança que locar o salão principal por uma única sessão, sem venda externa de ingressos, o valor também duplicou, de R$ 60 mil para R$ 120 mil.

Houve também reajustes nos valores cobrados para espetáculos com venda de ingressos ao público geral. Antes, eram cobrados 40% da renda bruta da bilheteira, ou R$ 80 mil - o que fosse maior. Agora, o valor subiu para 50% do valor da bilheteria, ou R$ 100 mil. A quantia cobrada para instituições de utilidade pública, como o Balé da Cidade de São Paulo e a Orquestra Sinfônica Municipal, continua a mesma: R$ 30 mil por evento.

Os reajustes ocorrem menos de nove meses após a casa ser reaberta com a promessa, feita pelo governo municipal, de que os ingressos teriam preços populares para peças e espetáculos. O objetivo era dar um tom menos erudito e mais popular aos eventos realizados no espaço, com o objetivo de atrair o público jovem. Agora, com os reajustes, empresários do setor já temem que o custo adicional do aluguel seja repassado ao público.

Promotores de eventos culturais podem repassar o aluguel mais caro ao público, em um "efeito cascata" imediato, segundo afirmam especialistas do meio artístico.

"Com os reajustes, o interesse financeiro está acima do cultural", critica o maestro Júlio Medaglia, ex-diretor do Teatro Municipal em duas gestões (de 1985 a 1987 e no ano 2000). "O Municipal está aí para prestar serviço para a população, não para a Prefeitura arrecadar dinheiro."

De acordo com a Secretaria Municipal de Cultura, o aumento nos aluguéis é consequência direta da "nova estrutura à disposição". "Os custos de manutenção do local foram aumentados", informou, em nota.

O valor dos eventos em outros espaços culturais da Prefeitura também foi reajustado, mas só para o Teatro Municipal os preços saltaram tanto. Para quem quiser alugar a Sala Adoniran Barbosa, no Centro Cultural São Paulo, por exemplo, vai pagar R$ 8 mil - o preço anterior era de R$ 6,5 mil.

A maior parte dos teatros de bairros não teve reajuste no preço do aluguel. Uma das exceções foi o Teatro Paulo Eiró, em Santo Amaro, na zona sul, cujo aluguel para uma sessão saltou de R$ 1,9 mil para R$ 3 mil.

Para a realização de espetáculos na Galeria Olido, na região central, foram mantidos os R$ 4,2 mil cobrados desde 2010.

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