Alterações no clima redesenham fronteiras

Por séculos, foram exércitos que moveram fronteiras. Agora, é a mudança climática que obriga governos a sentar à mesa e negociar novos acordos. Nos últimos anos, 10% da fronteira de 750 km entre Suíça e Itália teve de ser redesenhada. A última grande modificação ocorreu na região de Zermatt, onde a mudança em uma geleira obrigou o governo da Itália a ceder 100 metros aos suíços.

FIESCH, SUÍÇA, O Estado de S.Paulo

29 Setembro 2013 | 02h06

As fronteiras entre os dois países foram fixadas em 1861 e, em 1940, um novo acordo foi fechado. Mas, se em altitudes mais baixas os limites entre países contam com marcos e até grades, nos picos dos Alpes os acordos foram fechados com base na palavra de ambos os lados.

Para estabelecer essas fronteiras, uma divisão física ou um marco natural foi o que as definiu nas altas altitudes. Nas geleiras, o que estabelecia o que era suíço ou italiano era a direção para onde a água corria e o ponto que marcava o divisor de águas. O problema é que esses divisores mudaram de lugar e alguns marcos nem sequer sobreviveram. Nesse caso, as fronteiras passaram a ser uma ficção, já que não estavam nem delineadas por marcos físicos nem por naturais.

Um exemplo foi identificado pelos dois governos nas proximidades da montanha do Matterhorn, onde o pico de uma geleira era o que marcava a fronteira, em 1940. Desde então, a geleira derreteu e o ponto mais alto ficou 100 metros mais distante do que era há sete décadas.

O que para geógrafos é uma questão técnica, para os governos se transforma em um debate político, ainda que na prática não haja qualquer impacto para as populações locais.

O que deixa políticos e militares preocupados é que a prática de rever fronteiras por causa de mudanças climáticas poderia acabar se transformando em uma espécie de prática internacional./ J.C.

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