Alta indica que as vítimas chegaram ao limite da dor

Análise: Ana Paula Mallet Lima

PSICÓLOGA, INTEGRANTE DO NÚCLEO DE , VIOLÊNCIA DOMÉSTICA DA UNIFESP, O Estado de S.Paulo

14 de junho de 2012 | 03h03

É um bom sinal saber que cada vez mais mulheres têm buscado proteção na Justiça. Isso mostra que elas têm aumentado seu conhecimento em relação aos seus direitos. Quanto mais mulheres tomarem essa atitude, menor será a frequência da violência. A alta demanda, porém, revela também que os casos de violência estão atingindo níveis extremos. Isso porque a grande maioria das vítimas não denuncia na primeira vez. Elas só buscam ajuda quando chegam ao limite. E mesmo assim não são todas. Muitas estão desacreditadas até para dizer basta.

E há um lado negativo nessa estatística: depois de conseguir a medida cautelar, boa parte das vítimas se dá por satisfeita. Elas acham que conseguiram acabar com a violência dando um susto no agressor. Mas essa é uma aposta traiçoeira porque pode abrir uma brecha para o desejo de vingança. É por isso que, quando tomam essa iniciativa, as mulheres precisam estar preparadas para agir - não sucumbir aos pedidos de perdão, que certamente vão acontecer, mas seguir em frente com o processo e até chamar a polícia se preciso. Também têm de ter consciência de que a violência doméstica não acaba com a prisão do agressor. É preciso mais. Só quando tivermos uma rede capaz de acolher bem vítima e agressor é que os números vão de fato cair.

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