Alívio e resistência no meio da Serra

Marli Xavier Carvalho, de 55 anos, tem mais do que raízes no Cota 200, na Serra do Mar. Nasceu no local e seu pai e seu avô ajudaram a construir a Via Anchieta. Seu maior sonho é morar num lugar plano, onde possa fazer as caminhadas recomendadas pelo médico. "Aqui no morro não dá."

Eduardo Reina, O Estado de S.Paulo

11 de agosto de 2010 | 00h00

Ela e o marido, Edson de Oliveira Carvalho, serão duas das primeiras pessoas a se mudar para o residencial da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) no Jardim Casqueiro. "Estou enjoada de morar no mesmo lugar. Vários vizinhos vão junto."

A família mora na Rua Principal, que nos idos de 1950 servia de passagem para as cotas mais altas da Serra do Mar na construção da Anchieta. Marli reside hoje numa casa de alvenaria - anteriormente era de madeira - subdividida em duas. Vai para uma casa de 60 metros quadrados. "Estou feliz. Vai facilitar muito, vou ficar perto do centro da cidade."

Resistência. Se por um lado os Carvalhos comemoram, tem gente que não quer deixar a casa, mesmo que ela fique num terreno íngreme e sujeito a deslizamentos.

"Não estou contra tirar a gente daqui. Mas gostaria de receber R$ 15 mil para mudar para Sergipe", diz Eucir Maciel, que completa 70 anos amanhã.

Ela mora no chamado Grotão, um vale com grande risco de desabamentos. Parte dos moradores locais já foi removida. O entulho do que sobrou nas paredes das casas desocupadas forma um enorme monte no meio dos imóveis de quem ainda resiste.

Para se chegar ao ponto próximo de um corpo d"água que recebe o esgoto local é necessário descer mais de 70 degraus, numa rampa de tirar o fôlego.

Eucir diz que a filha já comprou um terreno para ela construir uma casa em Sergipe. "Gastei mais de R$ 12 mil aqui. Mas me ofereceram R$ 5 mil para ir embora. Trabalhei muito para conseguir minhas coisas", reclama.

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