Algas deixam água da zona sul com cheiro forte

Lixo e esgoto aumentam problema na Represa do Guarapiranga, que abastece 3,5 milhões de pessoas; outra queixa é o gosto ruim

Luísa Alcalde e Tiago Dantas, O Estado de S.Paulo

10 Março 2011 | 00h00

O crescimento desordenado de algas na Represa do Guarapiranga está afetando a qualidade de parte da água fornecida pela Sabesp. Moradores e comerciantes da Vila Clementino e da Vila Mariana, na zona sul da capital, reclamam do gosto ruim e do forte cheiro da água que sai das torneiras e dos chuveiros. Nesses dois bairros, o problema começou a ser notado nos últimos 15 dias. Outras regiões podem ter sido afetadas.

A Sabesp afirma que o gosto e o cheiro ruins são causados por duas substâncias liberadas pelas algas. O reservatório abastece cerca de 3,5 milhões de habitantes da zona sul da capital e também de municípios da Grande São Paulo, como Embu e Itapecerica da Serra. A companhia admite que já recebeu reclamações, mas não especificou de que bairros vieram e diz estar se mobilizando para dar fim ao problema.

Para neutralizar o gosto e o cheiro, carvão ativado é adicionado à água durante o tratamento. E para combater o excesso de algas na represa, a companhia está aplicando peróxido de hidrogênio (água oxigenada) e sulfato de cobre na Guarapiranga.

"Não há risco para a saúde", afirma o superintendente de produção de água da Sabesp, Hélio Castro. "É só o desconforto mesmo. Mas não tem nenhum problema sanitário ou de saúde pública." Ele diz que o crescimento das algas é potencializado pelo calor e pela quantidade de lixo e esgoto que vai parar na represa, principalmente com as chuvas.

Cheiro. Moradores comparam o cheiro da água ao de produtos químicos, cloro, água sanitária e até inseticidas. Nenhum dos entrevistados pela reportagem relatou ter sofrido problemas de saúde, mas não são poucas as precauções para evitar que isso aconteça. "Parece cheiro de água sanitária. Para cozinhar, usamos água fervida e filtrada", afirmou Luís Carlos Cerella, dono de uma lanchonete na Rua Borges Lagoa, na Vila Clementino.

Ferver a água ou colocar o chuveiro no modo mais quente não traz alívio para parte dos consumidores. "Na semana passada, quando fez frio, regulei o chuveiro para o módulo inverno. Com o vapor quente, a água ficou ainda mais malcheirosa", contou a comerciante Laís Ribeiro, moradora na Vila Clementino, que comparou o cheiro ao de inseticida. "Não dá para fazer café com ela. Tenho usado água mineral para cozinhar", disse.

Outra que reclama que o odor é pior quando a água está quente é a auxiliar de enfermagem Ana Maria Guarnieri, moradora na Rua Estado de Israel. "Parece produto químico. Quando fervo a água, com o vapor vem aquele bafo ruim", disse. "Deve ser por causa das chuvas."

"Imaginei que fosse cloro que estivessem colocando na água. O gosto é horrível. Parece podre", comentou a dona de casa Jarina Santana, moradora da Rua Napoleão de Barros. "O jeito é ferver a água para tudo."

Lavar as mãos, tomar banho ou escovar os dentes têm sido um incômodo, relata a comerciante Vera Lúcia Pereira de Souza, dona de um mercado na Rua Rio Grande, na Vila Mariana. "Quando escovei os dentes hoje de manhã senti um cheiro muito forte e ruim na água, como se tivesse produto químico nela."

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