Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá serão acareados

Expectativa é que o interrogatório termine apenas durante a madrugada; casal está indiciado por homicídio

Camila Tuchlinski, da Agência Estado,

18 de abril de 2008 | 23h06

Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá serão acareados pela polícia de São Paulo. A afirmação foi feita por Aldo Galeano, diretor do Departamento de Polícia Judiciária da Capital (Decap), que no fim da tarde confirmou o indiciamento do casal pela morte da menina Isabella Nardoni, de 5 anos, morta no dia 29 de março. Isabella foi jogada do 6º andar do apartamento do casal, na zona norte de São Paulo, depois de ter sido agredida.   VEJA TAMBÉM Imagens do dia de depoimentos  Imagens do apartamento onde ocorreu o crime  Cronologia e perguntas sem resposta do caso  Tudo o que foi publicado sobre o caso Isabella      "Uma acareação será necessária", afirmou Galeano, dizendo que a acareação pode acontecer durante a madrugada. O interrogatório de Anna Carolina Jatobá deve terminar por volta das 4 horas. Ela começou a depor por volta das 20h10 desta sexta-feira, 18, e a expectativa é de que dure mais do que o depoimento de Alexandre, que demorou quase sete horas e meia.   Na sala onde Anna Carolina é interrogada, estão o delegado Calixto Calil Filho, dois advogados do casal e o promotor Francisco Cembranelli. O terceiro advogado do casal está em outra sala com Alexandre. Na noite desta sexta, populares continuavam na frente do 9º Distrito Policial, no Carandiru, portando cartazes com pedidos de Justiça, mas o número de manifestantes diminuiu.   Galeano afirmou ainda que, "de forma alguma" sairá ainda nesta sexta o pedido de prisão preventiva do casal. "Para fazer uma (prisão) preventiva tem que se preparar documentação. De forma alguma a prisão preventiva será pedida hoje", afirmou.   Laudos   Os laudos do Instituto de Criminalística (IC) já estão com o delegado Calixto Calil Filho, do 9º DP, e com a delegada-assistente Renata Pontes. O depoimento de Alexandre Nardoni começou com mais de meia hora de atraso. Um grupo de curiosos que estava na porta da delegacia cantou "parabéns" para Isabella no momento em que o casal chegou no local. Nesta sexta, 18, Isabella completaria seis anos. O avô da menina, Antonio Nardoni, também foi recebido com "parabéns" para a neta e gritos de "pai de assassino" pelos populares quando chegou ao local, por volta de 11h50.   O casal teve a prisão temporária decretada na noite de 2 de abril, três dias após o assassinato de Isabella. No dia seguinte, Alexandre e Anna Carolina se apresentaram espontaneamente à polícia e em 11 de abril, o desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), Caio Eduardo Canguçu de Almeida, concedeu o habeas-corpus em caráter liminar para o casal.   As polícias civil e militar montaram um verdadeiro esquema de segurança para que o casal pudesse fazer em segurança o trajeto entre a casa onde eles estavam, no Tucuruvi, até o 9 º Distrito Policial (Carandiru). Por volta das 10h30, eles tentaram sair da casa dos pais de Alexandre, no carro particular da família. Depois de tumulto provocado por populares e jornalistas, eles voltaram para dentro e decidiram pedir apoio policial.   Os delegados Calixto Calil Filho e Renata Pontes, titular e assistente, decidiram que Alexandre Nardoni é o primeiro a depor no 9º DP, no Carandiru, na zona norte de São Paulo. Alexandre e Anna Carolina Jatobá, pai e madrasta de Isabella, serão ouvidos em salas separadas. Segundo a assessoria da Secretaria de Segurança Pública, os delegados ainda não pensam em acareações.   O casal chegou ao 9º DP pouco depois das 11 horas e foi recebido por um grupo de aproximadamente 50 pessoas que gritava palavras como "assassinos" e "justiça". Anna Carolina saiu da viatura policial chorando ao lado de Alexandre. Logo após a chegada do casal, um estalo (bombinha) foi jogado no local de entrada das viaturas. Houve correria de jornalistas, mas ninguém se feriu.

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