Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Alexandre de Moraes quer fim da produção de dinamites no País

Secretário vai se reunir na próxima semana com ministro da Justiça; medida ajudaria a diminuir casos de furto de caixas eletrônicos

Edgar Maciel, O Estado de S. Paulo

20 Fevereiro 2015 | 13h33

Atualizada às 20h17

SÃO PAULO - Depois de registrar um caso por dia, em média, de explosão de caixa eletrônico neste ano no Estado de São Paulo, a Secretaria da Segurança Pública e a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) anunciaram nesta sexta-feira, 20, medidas para reduzir o número de furtos com o uso de explosivos. Em reunião entre o secretário Alexandre de Moraes e o presidente da Febraban, Murilo Portugal Filho, ficou acertado um pedido que será feito ao governo federal para a proibição da fabricação de bananas de dinamite no território nacional, principal instrumento dos bandidos nos ataques aos bancos.

A requisição será feita na próxima semana por Moraes durante uma reunião com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Na quarta-feira, os dois devem conversar em Brasília para discutir a situação dos furtos a bancos. “Apenas 15% das pedreiras continuam utilizando as dinamites. Já há sistema mais modernos para o trabalho de mineração e isso nos ajudaria a coibir esse tipo de crime”, disse o secretário.

Alexandre de Moraes também deve conversar com Cardozo sobre a possibilidade de mudança da normativa do Banco Central (BC), que atualmente proíbe a destruição total das notas em casos de ataque. Atualmente, quando há furtos a bancos, só há restituição do dinheiro caso as notas estejam apenas 51% comprometidas.

Segundo o secretário, caso seja regulamentada, a mudança significaria uma redução no número de crimes. “Isso é possível e não há nenhuma limitação legal que proíba essa prática. Por isso, vamos pedir essa alteração ao Banco Central”, afirmou.

O governo estadual e a Febraban concordaram que caso a normativa seja revista será possível instalar outros instrumentos de proteção nos caixas eletrônicos. “Vamos poder utilizar tintas removíveis mais eficientes, bombas de gás para atrasar o furto e um sistema de incineração que destrua as notas automaticamente”, explicou.

O presidente da Febraban disse que o mais importante para coibir os ataques é o controle do acesso de explosivos pelos assaltantes. “Nós pedimos uma maior fiscalização em estabelecimentos que manuseiam e transportam os explosivos. Isso é um problema de segurança pública e não privado”, destacou Murilo Portugal.

Exército. Representantes do Exército também participaram da reunião e apresentaram medidas para controlar o fluxo de explosivos nas estradas paulistas. A partir deste sábado, empresas privadas que vendam ou adquiram cargas desse tipo de material serão obrigadas a contratar segurança privada para evitar roubos. Além disso, as tropas farão uma força-tarefa com as Polícias Militar e Civil para fiscalizar as pedreiras que utilizam as bananas de dinamite. “Isso vai evitar o desvio de detonadores e a venda ilegal para os assaltos. Vamos analisar e identificar a quem pertencem os explosivos e quem os desviou.”

A Febraban e a secretaria também anunciaram um novo sistema de inteligência que facilita a segurança das agências bancárias. A partir da próxima semana, todas as imagens de vídeo dos caixas eletrônicos estarão disponíveis para a secretaria na tentativa de identificar, previamente, qualquer ameaça de furto nos locais.

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) já havia cobrado governo federal maior controle sobre a dinamite para conter a onda de ataques em São Paulo.

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