Alerta de desmatamento na Amazônia cai desde agosto

No acumulado até janeiro, houve queda de 18,6%; o primeiro mês do ano, porém, teve alta em relação ao início de 2013

Débora Álavares/ Brasília , Giovana Girardi, O Estado de S.Paulo

22 Fevereiro 2014 | 02h05

Depois de amargar a divulgação, no fim de 2013, de que o desmatamento anual da Amazônia havia subido 28% de agosto de 2012 a julho de 2013, na comparação com o mesmo período do ano anterior, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, anunciou ontem uma tendência de redução do problema. No acumulado de agosto passado até janeiro, houve uma redução de 18,6% nos alertas de desmatamento, totalizando 1.162,7 km², ante 1.427,98 km² no período anterior.

Os alertas, fornecidos pelo sistema Deter, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), indicam uma tendência em tempo real do que está acontecendo e servem de apoio à fiscalização, mas não medem o desmatamento real. A taxa oficial é conhecida somente com o Prodes, outro sistema do Inpe, que divulga no fim do ano o total de agosto a julho.

Exatamente por isso, embora tenha comemorado os números, a ministra Izabella Teixeira não garantiu que isso indique uma diminuição nas taxas de desmatamento da área. "Ter um alerta menor significa que os nossos esforços de tecnologia dialogam com dados de campo; mas, por outro lado, será que vai dialogar com redução da taxa de desmatamento que esperamos?", questiona.

Desde agosto, só não houve redução nos alertas mensais no primeiro mês deste ano. Janeiro teve alertas de 75,41 km², ante 9,26 km² em janeiro de 2013 - um aumento de 714%. Mas houve queda em relação a dezembro, quando os alertas foram de 93,42 km². Há também uma diferença na cobertura de nuvens, o que afeta a visibilidade do satélite. Neste ano, havia 49% de cobertura de nuvens, ante 67% em janeiro de 2013.

Francisco Oliveira, diretor do Departamento de Políticas de Apoio para o Combate ao Desmatamento, explica que a alta se deve basicamente a essa visibilidade maior. "Nos meses de janeiro a cobertura de nuvens normalmente oscila muito. Em janeiro de 2013 vimos só 9,26 km² porque havia muitas nuvens e depois, em fevereiro, vimos 270 km². Isso porque provavelmente só vimos a perda florestal de janeiro no mês de fevereiro e juntou as duas", afirma.

Neste ano, diz, a prévia de fevereiro está em torno de 80 km². "Faltam só sete dias para o mês acabar. Ou seja, fevereiro vai ficar mais baixo porque enxergamos mais em janeiro", afirma. E complementa: "Por conta dessas variações e limitações do sistema "é preciso tomar cuidado ao analisar o dado de um mês só. Mas não há tendência de alta. O acumulado nos mostra uma tendência de baixa".

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