Além das vítimas, prejuízos superam os investimentos

As tragédias no Rio e em São Paulo são fundamentalmente diferentes, embora tenham origem na chuva. Mas há iniciativas técnicas para minorar problemas nos dois casos. Nos arredores da Lagoa Rodrigo de Freitas, zona sul do Rio, por exemplo, há diversas intervenções dando suporte às grandes rochas. Por causa de uma série de obras realizadas ao longo do século passado, não temos registros recentes de escorregamentos na área central.

Análise: Marcelo Rozenberg, O Estado de S.Paulo

15 Janeiro 2011 | 00h00

A discussão de hoje não se limita à engenharia e à política. Envolve valores culturais profundos e delicados. Indiretamente também falamos de direito de propriedade, moradia, risco coletivo versus vantagem individual e complacência social. Uma obra realizada em 15 anos tem resultado diferente em 40.

No Rio, a ocupação inicial impactava menos no ambiente do que hoje. Recentemente, geólogos mapearam as áreas de risco, mas não se deu atenção. É preciso que a sociedade acredite mais na experiência acumulada pelos técnicos e estudos de engenharia sejam respeitados. Uma solução isolada não dá conta do problema. É preciso planejamento e disciplina. Os custos são altos, mas, quando se computam as perdas nas catástrofes, o gestor pode ver que o prejuízo macroeconômico supera em muito o investimento necessário, além de não termos vítimas a lamentar.

É vice-presidente de Atividades Técnicas do Instituto de Engenharia

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