Alegoria bate em fios e 4 morrem em Santos

Carnaval da cidade foi cancelado após carro da escola de samba Sangue Jovem pegar fogo

ZULEIDE DE BARROS / SANTOS , ESPECIAL PARA O ESTADO , O Estado de S.Paulo

13 de fevereiro de 2013 | 02h03

Quatro pessoas morreram no início da madrugada de ontem em Santos, depois de um carro alegórico da escola de samba Sangue Jovem, ligada à torcida organizada do Santos Futebol Clube, bater na rede elétrica e pegar fogo. Três rapazes que empurravam o carro morreram carbonizados e uma jovem que via a festa da calçada de casa foi eletrocutada.

Momentos antes, a vítima - Mirela Diniz Garcia, de 19 anos - havia pedido para retirarem a filha, de 3, do local. Sua mãe, Solange Aparecida Noronha, ficou ferida ao tentar socorrê-la e está internada na Santa Casa da cidade, com ferimentos nas pernas. Outras cinco pessoas também ficaram feridas e permaneciam internadas ontem em observação.

A Sangue Jovem foi a primeira escola a desfilar na noite de segunda-feira na Passarela do Samba. O carro alegórico que pegou fogo foi o último a passar pela avenida. Em homenagem a Pelé, ele trazia o ex-craque Coutinho. Vinte e duas crianças e um outro adulto também desfilavam no carro. Todos haviam acabado de descer quando o acidente ocorreu. "Foi uma triste fatalidade", resumiu o ex-jogador.

Os três rapazes que empurravam o carro - Ludenildo da Silva Militão, de 25 anos, Wictor Ferreira, de 29, e Leandro Monteiro, de 27 - receberiam R$ 40 pelo trabalho.

Ao saber da tragédia, o prefeito Paulo Alexandre Barbosa (PSDB) determinou o cancelamento do desfile e pediu que o público - de cerca de 10 mil pessoas - deixasse as arquibancadas. Representantes das demais escolas, que ainda desfilariam, acataram a decisão e fizeram uma oração pelas vítimas. Mais tarde, o prefeito decretou luto oficial de três dias e cancelou os outros eventos de carnaval programados no município. "Esse é um momento de comoção para todos os santistas", disse.

Barbosa informou que a estrutura da passarela para os desfiles havia sido vistoriada pelo Corpo de Bombeiros e pela Defesa Civil. "A prioridade da prefeitura agora é prestar toda a assistência às famílias das vítimas e dos feridos." Segundo ele, o carro alegórico que pegou fogo não deveria estar no local. Ele disse que 34 braços de iluminação foram retirados para facilitar a passagem dos carros. "Doze escolas utilizaram a área de dispersão nos dias anteriores de desfile e não houve problemas. Foi uma fatalidade."

De acordo com o regulamento do carnaval, os carros alegóricos devem ter 10 metros de altura por 8 de largura. Ninguém soube precisar a altura do carro envolvido no acidente.

A concessionária de energia elétrica CPFL informou que uma descarga de 13 mil volts foi disparada assim que a coroa do carro alegórico encostou nos fios de alta tensão da rede elétrica. Com o acidente, o fornecimento de energia foi cortado na região e só pôde ser restabelecido na manhã de ontem.

Futuro. O presidente da Liga das Escolas de Samba de Santos, Heldir Lopes, afirmou que vai reunir as demais escolas para decidir o que vai ser do carnaval. "Vamos decidir com mais calma o que será feito."

Em nota, a direção do Santos lamentou o fato. O velório de duas das vítimas foi realizado ontem no Salão de Mármore do Santos, na Vila Belmiro.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.