Felipe Resk/Estadão
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Alckmin descarta rodízio e diz 'não contar com São Pedro'

Governador de São Paulo inaugurou uma obra de transposição do Rio Guaió, na Grande São Paulo, para a bacia do Alto Tietê

Felipe Resk, O Estado de S. Paulo

29 Junho 2015 | 15h24

Atualizado às 16h21

SUZANO - O governador Geraldo Alckmin (PSDB) inaugurou nesta segunda-feira,  29, a obra de transposição de água do Rio Guaió, na Grande São Paulo, para o Sistema Alto Tietê. Durante a entrega da obra, uma medida emergencial de combate à crise hídrica prometida para maio, Alckmin voltou a descartar o rodízio e afirmou que não está "contando com São Pedro" para os próximos três meses.

"Podemos sim descartar o rodízio. Não estamos contando com chuva no período em julho, agosto e setembro. Entendemos que é inverno, período seco. Pretendemos chegar ao máximo à afluência de água do consumo", disse o governador. "Nós não estamos contando com São Pedro."

O governo estadual afirma que o Rio Guaió vai aumentar a vazão do Alto Tietê, em média, em cerca de 1 mil litros por segundo. O volume adicional previsto equivale ao consumo de cerca de 300 mil pessoas em condições normais de abastecimento e de 400 mil na atual situação de racionamento, segundo a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp).

Atualmente, o Alto Tietê atende 4,5 milhões de pessoas em parte da zona leste da capital e nas cidades de Suzano, Mogi das Cruzes, Ferraz de Vasconcelos, Poá, Itaquaquecetuba e Arujá e parte de Guarulhos.

Para fazer a transposição de água, foi construída uma adutora de nove quilômetros, além de uma estação de bombeamento com capacidade para levar 1 mil l/s do Guaió até o Ribeirão dos Moraes, afluente do Rio Taiaçupeba-Mirim. De lá, a água vai chega à represa Taiaçupeba por gravidade.

 

Os recursos usados para execução da obra vieram da própria Sabesp. Em janeiro, a empresa entregou a ampliação da transferência de água do córrego Guaratuba para o Alto Tietê de 500 para 1 mil l/s, a primeiro obra emergencial concluída neste ano.

O manancial deve fechar o mês de junho com chuvas abaixo da média histórica do período e opera com apenas 20,7% da capacidade - já considerando uma cota de volume morto, com 39,4 bilhões de litros de água, adicionada no ano passado. Até o momento, a pluviometria acumulada é de 38,2 milímetros, o que representa certa de 69% do volume esperado para o mês inteiro.

Segundo Alckmin, mais duas obras emergenciais devem ser entregues nos próximos meses. Antes prevista para junho, o governador já admite que a ampliação em mais 1 mil l/s da capacidade de produção do Sistema Guarapiranga só deve ser entregue em julho. Hoje, o manancial atende o maior número de pessoas (5,8 milhões). Já a transposição de 4 mil l/s do Sistema Rio Grande deve ficar para setembro. Essa última obra foi prometida para maio.

Questionado sobre as datas de entrega, Alckmin afirmou que o prazo é "perfeitamente dentro da necessidade". "Porque se tiver problema é só depois de setembro". O governador disse, ainda, que São Paulo vai iniciar o mês de julho em situação "melhor do que esperávamos em janeiro".

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